Mostrar mensagens com a etiqueta alheamento. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta alheamento. Mostrar todas as mensagens

2014-12-07

O Jogo das Contas de Vidro (p.274-275)

Hermann Hesse
Das Glasperlenspiel (1943)
(trad. Carlos Leite)


"(...) verificou que, no fundo de si próprio, se tinha desligado e afastado de tudo, e que todas as jóias deste pequeno mundo perfeitamente concebido já não o satisfaziam nem o cativavam. Waldzell e o seu Magistério pareciam já como se pertencessem ao passado: era um território que atravessara, que lhe dera muito e lhe ensinara muito, mas que doravante já não poderia excitar as suas forças e a sua actividade. Pouco a pouco, durante este período de lento desprendimento e de adeus, deu-se igualmente conta de que o que fazia de si um estrangeiro e o levava a partir era talvez menos o conhecimento dos perigos que ameaçavam Castália e a preocupação com o futuro desta, do que muito simplesmente esta parte do seu ser, do seu coração, da sua alma que ficara vazia e desocupada e que exigia, agora, o que lhe era devido e procurava a plenitude."

2014-10-13

Prosa Completa (p.286)

Woody Allen
Side Effects (1975)
(trad. Jorge Leitão Ramos)


"(...) Queria fugir e esconder-se, ou, melhor ainda, tornar-se em algo sólido e duradouro - uma cadeira de braços, por exemplo. Uma cadeira não tem problemas, pensava. Está ali; ninguém a chateia. Não tem de pagar renda de casa nem de se envolver politicamente. Uma cadeira nunca torce um dedo nem se esquece onde pôs o gorro. Não tem de sorrir nem de cortar o cabelo, e nunca temos de nos preocupar com o facto de, numa festa aonde a levamos, ela desatar a tossir ou fazer cenas. Tudo o que as pessoas fazem com uma cadeira é sentarem-se nela, e quando essas pessoas morrem outros vêm sentar-se. (...)"