| Miguel de Cervantes Saavedra D. Quixote de la Mancha (1605) (trad. Aquilino Ribeiro)
"(...) Os historiadores que se permitem mentir deviam ser queimados como os que fazem moeda falsa. (...) para compor um livro, de histórias ou de qualquer género que seja, requer-se madureza de entendimento e segurança de critério. Falar ou escrever com chiste e a sua graça é particular aos grandes engenhos. A figura mais discreta da comédia é a do parvo, porque não há-de ser tolo nem simples para inculcar-se como tal. A história é como que uma coisa sagrada, visto que há-de ser verdadeira, e onde se encontra verdade encontra-se Deus. Não obstante, há quem faça e dê a lume livros como se fossem filhoses."
|
Mostrar mensagens com a etiqueta mentira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta mentira. Mostrar todas as mensagens
2015-08-26
D. Quixote de la Mancha (vol.II, p.38-39)
2015-03-17
A Obra ao Negro (p.252)
| Marguerite Yourcenar L'Oeuvre au Noir (1968) (trad. António Ramos Rosa, Luísa Neto Jorge e Manuel João Gomes)
"(...) aquilo que considerais mentira talvez seja uma autêntica profissão de fé contra vossa vontade. A verdade tem segredos para se insinuar nas almas que tenham deixado de lhe opor barreiras.
- O mesmo se poderá dizer da hipocrisia - observou com toda a calma o filósofo. - Não, meu caro padre! Muitas vezes menti para viver, mas começo a perder o hábito da mentira. Entre vós e nós, entre as ideias de Hiéronymus Van Palmaert, as do bispo e as vossas, por um lado, e as minhas, por outro, existem aqui e além, semelhanças, às vezes compromissos, mas nunca relação perfeita. Dá-se com elas o mesmo que com certas curvas traçadas a partir de um plano comum, que é o intelecto humano, as quais divergem de repente e depois voltam a unir-se, afastando-se de novo umas das outras, intersectando-se nas suas trajectórias ou, pelo contrário, confundindo-se com um dos seus segmentos, sem ninguém, contudo, poder saber se elas se unem ou não num ponto situado para além do nosso horizonte. Há falsidade em declará-las paralelas." |
2015-03-13
A Obra ao Negro (p.233)
| Marguerite Yourcenar L'Oeuvre au Noir (1968) (trad. António Ramos Rosa, Luísa Neto Jorge e Manuel João Gomes)
"(...) A verdade, a ser dita, iria provocar confusão geral. Pouco a distinguia da mentira. Quando ele falava verdade, algo de falso estava incluso: nunca ele abjurara nem da religião cristã, nem da fé católica, mas por certo tê-lo-ia feito, com a consciência em paz, se alguma vez tivesse sido necessário, (...)
Se, por outro lado, as suas negações não passavam literalmente de mentiras, (...), também a pura verdade nem por isso deixava de mentir. (...) ninguém, de entre esse bando de furiosos, era capaz de compreender a sua fria devoção de médico. (...)" |
2015-03-06
2015-02-17
A Obra ao Negro (p.89)
| Marguerite Yourcenar L'Oeuvre au Noir (1968) (trad. António Ramos Rosa, Luísa Neto Jorge e Manuel João Gomes)
"- Que vem a ser o erro, e o seu sucedâneo, a mentira - prosseguiu Zenão -, senão uma espécie de Caput Mortuum, uma matéria morta sem a qual a verdade, excessivamente volátil, não poderia ser triturada no cadinho humano? Esses pensadores comezinhos erguem aos píncaros da Lua aqueles que se lhes assemelham e insurgem-se contra os que se lhes opõem; se as nossas ideias forem, na verdade, de diferente teor dos deles, não as percebem; nem sequer as vêem, como um animal rancoroso depressa esquece, no chão da sua jaula, um objecto insólito que não consiga destruir ou devorar. E assim é possível tornarmo-nos invisíveis."
|
2014-11-08
Palmeiras Bravas | Rio Velho (p.254)
| William Faulkner Wild Palms * The Old Man (1939) (trad. Jorge de Sena e Ana Maria Chaves)
"(...) era algo de demasiado profundo, enraízado, nunca até aí precisara de o formular em palavras, recorrendo às gerações e gerações que o haviam precedido - o seu respeito sisudo e cioso de provinciano, não pela verdade, mas pelo poder, pela força da mentira - não para ser parcimonioso na mentira, mas para dela se servir com respeito, zelo até, com delicadeza, força e rapidez, como lâmina maleável e mortal. (...)"
|
2014-07-02
Kim (p.280-281)
| Rudyard Kipling Kim (1901) (trad. Monteiro Lobato)
"(...) Descuidares de mim? Criança, eu tenho vivido da tua força, como uma velha árvore viva da cal de um muro novo. Dia a dia, desde que saímos de Shamlegh, tenho roubado o teu vigor juvenil. É por isso, e não por nenhum pecado teu, que estás esfalfado. É o corpo - estúpido corpo - que fala agora - não a alma forte. Coragem. Temos de conhecer os inimigos que combatemos. São filhos da terra - filhos da ilusão. (...) Esqueci-me do estúpido corpo. Se há alguém a ser acusado, esse alguém sou eu. Mas estamos muito perto da Libertação para pensarmos em queixas. Eu poderia louvar-te, mas para quê? Dentro de pouco tempo estaremos livres de qualquer necessidade. (...) - o nosso corpo, o qual, sendo uma ilusão, insiste em equiparar-se à alma, para obscurecer o Caminho e criar a imensa multiplicação de demónios desnecessários. (...) Há muitas mentiras no mundo e não menos mentirosos; mas mais mentirosos que o nosso corpo, só as sensações do nosso corpo (...)" |
2014-05-14
As Aventuras de Tom Sawyer (p.292)
| Mark Twain The Adventures of Tom Sawyer (1876) (trad. Maria João Freire de Andrade)
"(...) e quando ela pediu perdão pela enorme mentira que Tom dissera de modo a transferir o castigo que pesava sobre ela para ele, o juiz disse muitíssimo animado que aquela era uma mentira nobre, generosa e magnânima - uma mentira digna de se andar de cabeça erguida e marchar pela história lado a lado com a célebre verdade de George Washington a respeito do machado. (...)" |
Subscrever:
Mensagens (Atom)







.jpg)
