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2017-12-03

Song to the Moon ("Měsíčku na nebi hlubokém")

Antonín Dvořák
música de Rusalka (1901)

O mais popular excerto do acto 1 da ópera Rusalka, em três actos, estreada em Praga, República Checa, a 31 de Março de 1901.
Com libreto original do poeta Jaroslav Kvapil, aqui fica a letra desta passagem:

Ó lua bem alto no profundo céu,
A tua luz avista regiões distantes,
Viajas através do vasto,
Vasto mundo perscrutando os lares.

Ah, lua, queda-te por momentos,
Diz-me, ah, diz-me onde está o meu amado!
Diz-lhe, por favor, lua de prata no céu,
Que o abraço fortemente,
E que ele deve pelo menos momentaneamente
Lembrar-se de seus sonhos!
Ilumina esse local distante,
Diz-lhe, ah, diz-lhe quem o espera aqui!
Se ele comigo estiver a sonhar,
Que essa memória o faça acordar!

Ah, lua, não desapareças, não desapareças!


Měsíčku na nebi hlubokém

2014-07-07

Kim (p.298)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"- Eu estava a meditar nesse corpo e nada ouvi. E foi assim que a Procura chegou ao termo. pelo mérito que granjeei, vim encontrar neste ponto o Rio da Flecha. Brotou aos nossos pés, como tantas vezes previ. Encontrei-o! Filho: eu arranquei a minha alma do Umbral da Libertação para vir libertar-te de todo o pecado, pois já estou livre e sem pecado. Justa é a Roda! Certa é a nossa libertação da Cadeia da Vida...
O lama cruzou as mãos sobre os joelhos e sorriu, como só pode sorrir o homem que acaba de alcançar a Salvação para si e para o seu bem-amado."

2014-07-06

Kim (p.297)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"- A minha alma destacou-se livre e, voando tal qual uma águia, viu que não havia nenhum Teshoo Lama nem qualquer outra alma. Como uma gota de água que cai no mar, assim a minha alma absorveu-se na Grande Alma que está além de todas as coisas. (...) Vi-os num dado tempo e num dado lugar, porque eles estavam dentro da Alma, e percebi que a Alma estava além da ilusão do Tempo, do Espaço e das Coisas. Senti que eu estava livre. (...) Depois a minha alma encontrou-se sozinha e não vi mais nada, porque eu era todas as coisas, tendo alcançado a fusão na Grande Alma. E meditei mil anos, sem paixão nenhuma, afinal consciente da Causa das Coisas. (...) Depois disso a minha alma, que á a alma de Teshoo Lama, retirou-se da Grande Alma com indizível esforço e agonia. Como os ovos do peixe, como o peixe da água, como a água da nuvem, como a nuvem do céu, assim a minha alma se desprendeu da Grande Alma. Então a voz falou: «O Rio! Cuidado com o Rio!» e eu olhei ao alto o mundo e divisei distintamente o Rio da Flecha a meus pés. (...)"

2014-07-05

Kim (p.291)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"Não sentia vontade de chorar, jamais na sua vida sentira menos vontade de chorar, mas, de súbito, lágrimas sem razão borbulharam-lhe nos olhos, e quase materialmente Kim percebeu que se articulava de novo com o ambiente externo. Coisas que pouco antes lhe pareciam sem sentido, voltaram a tê-lo, e nas proporções normais. As estradas existiam para ser transitadas; as residências, para que os homens nelas morassem; o gado, para ser tangido; os campos, para serem cultivados e os homens e mulheres, para conversar. Tudo real, tudo vivo, tudo bem plantado sobre os pés, perfeitamente inteligível. Kim abanou a cabeça como um cachorro com pulgas na orelha e saiu sem destino."

2014-07-04

Kim (p.284)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"(...) e sei que só há duas classes de mulheres - as que tiram as forças dos homens e as que lhes restituem essas forças. Já fui das primeiras, agora sou das segundas. (...)"

2014-07-03

Kim (p.282)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"- Nem diga como um filho, diga como um neto. As mães não têm a experiência das avós. Se uma criança chora, elas pensam que é o fim do mundo. mas uma avó já está bastante separada da dor de ter filhos e do prazer de amamentá-los ao seio, e por isso trata de ver se o choro vem da doença ou da birra. (...)"

2014-07-02

Kim (p.280-281)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"(...) Descuidares de mim? Criança, eu tenho vivido da tua força, como uma velha árvore viva da cal de um muro novo. Dia a dia, desde que saímos de Shamlegh, tenho roubado o teu vigor juvenil. É por isso, e não por nenhum pecado teu, que estás esfalfado. É o corpo - estúpido corpo - que fala agora - não a alma forte. Coragem. Temos de conhecer os inimigos que combatemos. São filhos da terra - filhos da ilusão. (...) Esqueci-me do estúpido corpo. Se há alguém a ser acusado, esse alguém sou eu. Mas estamos muito perto da Libertação para pensarmos em queixas. Eu poderia louvar-te, mas para quê? Dentro de pouco tempo estaremos livres de qualquer necessidade. (...) - o nosso corpo, o qual, sendo uma ilusão, insiste em equiparar-se à alma, para obscurecer o Caminho e criar a imensa multiplicação de demónios desnecessários.
(...) Há muitas mentiras no mundo e não menos mentirosos; mas mais mentirosos que o nosso corpo, só as sensações do nosso corpo (...)"

2014-07-01

Kim (p.279)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"(...) Mas já nem mesmo os óculos que ele me deu me fazem ver. Sombras tomam-me os olhos quando fixo a vista. Não importa, nós conhecemos os truques desta pobre e estúpida carcaça material, sombra que se muda noutra sombra. Atemo-nos à ilusão de Espaço e Tempo. (...)"

"(...) Chela, nunca te veio o desejo de abandonares-me.
(...)
- Não respondeu Kim quase com rispidez. - Não sou nenhum cão ou cobra que morde depois de ter aprendido a amar."

2014-06-30

Kim (p.273)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"- Ela adquiriu mais mérito que todos os outros - disse o lama. - Porque repor um homem no caminho da libertação é quase tanto como obtê-lo para si própria."

2014-06-29

Kim (p.259-260)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"- Se não fosse a minha paixão, nenhum mal teria havido - observou o lama.
- Que mal houve? O Mestre salvou os dois Sahibs de uma morte cem vezes justa.
- A lição não está bem aprendida, chela - advertiu o lama, deitando-se e cobrindo-se enquanto Kim prosseguia no seu trabalho. - A pancada não passou sombra sobre sombra. Foi um mal que despertou em mim, o mal, a cólera, a raiva e o desejo de pagar o mal com o mal. O mal mexeu no meu sangue, revolveu o meu estômago e zumbiu nos meus ouvidos.
Enquanto falava, o velho recebia cerimoniosamente a xícara de chá quente das mãos de Kim.
- Se eu me tivesse mostrado sem paixão - continuou -, o mal da pancada só me teria causado mal ao corpo, uma contusão, um ferimento, coisas ilusórias. Mas o meu espírito não estava abstracto, pois por um momento desejou que o coolie matasse o ofensor. Lutando contra esse desejo, a minha alma sofreu mais que com mil pancadas. Antes que eu repetisse as Bençãos (referindo-se às Beatitudes Budistas) a calma não me voltou. Mas o mal que aquele momento de descuido colocou em mim está perto do termo. A Roda é justa e não se desvia uma linha. Aprendamos a lição, chela.
- A coisa é muito elevada para mim - murmurou o rapaz. - Estou ainda abalado, mas contente do que fiz àquele homem.
- Senti isso, quando repousei com a cabeça no colo do meu chela, depois do incidente. Os meus sonhos foram agitados: o mal em acção numa alma passa para outra. Por outro lado - disse apalpando as contas do rosário - granjeei mérito com a salvação da duas vidas - as dos homens que me ofenderam. Agora preciso ver dentro da Causa das Coisas. O bote da minha alma flutua incerto.
- Durma e fortaleça-se, isso é a verdade.
- Medito. A necessidade de meditação é maior do que o meu chela supõe."

2014-06-28

Kim (p.258-259)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"- Encontro aqui - disse ele pausadamente - as minhas verdadeiras montanhas. Aqui pode um homem habitar, empoleirado sobre o mundo, separado dos deleites, com o pensamento nas coisas supremas."

2014-06-27

Kim (p.250)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"- Sou eu a pessoa ofendida - respondeu o lama.
- Por isso mesmo.
- Se o ofendido esquece a ofensa, porquê maculares as tuas mãos? Além disso, a obediência far-te-á adquirir mérito."

2014-06-26

Kim (p.240-241)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"- Aqui é que devem viver os deuses - murmurou Kim impressionado pelo silêncio e pelo pavoroso dispersar das nuvens depois das cargas de água. - Isto não é lugar de gente."

2014-06-25

Kim (p.219)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"(...) Falava daqueles lugares como um sábio liberto de vaidades, como Um que Procura com toda a humildade, como um velho, prudente e discreto, de iluminada visão interior. Pouco a pouco, fragmentariamente, à medida que incidentes e coisas da estrada lhe mexiam na memória, vinham à tona recordações do seu eterno viajar pela Índia. E Kim, que de começo o amara sem motivo, agora amava-o por mil razões. De modo que ambos gozavam de grande felicidade abstendo-se, como manda a Regra, de más palavras e da cobiça - não comiam de mais, não dormiam em camas fofas, não vestiam trajes de luxo. (...)"

2014-06-24

Kim (p.218)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"(...) Sou um velho que sente como as crianças. Para os que seguem o Caminho não há nem branco nem preto, nem Hindu nem Bhotiyal. Todos nós somos almas que procuram escapar. Qualquer que seja a sabedoria aprendida entre os Sahibs, quando encontrarmos o meu Rio o meu chela libertar-se-á de toda a ilusão, ao meu lado. Ai, os meus ossos clamam por esse Rio, como no comboio clamavam pelo repouso, mas o meu espírito paira acima dos meus ossos e espera. A procura está em marcha."

2014-06-23

Kim (p.199)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"(...) Bem se diz que os velhos são como as crianças. Quando querem uma coisa, choram se não lha dão no momento. Muitas vezes na Estrada estive prestes a tropeçar num carro que me impedia o caminho, ou uma nuvem de pó. Não era no meu tempo de rapaz - há tanto tempo..."

2014-06-22

Kim (p.198)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"(...) O meu chela foi-me enviado para auxílio. privado que fui desse auxílio, a Procura impossibilitava-se. Mas agora sairemos de novo e a Procura será coroada de êxito.
- Para onde iremos?
- Que importa para onde, Amigo de Toda a Gente? A Procura é tudo. (...)"

2014-06-21

Kim (p.197)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"O velho tirou debaixo da mesa uma folha de perfumado papel chinês, de cor amarela, os pincéis e o tijolo de tinta da Índia. Num lineamento severo, ele tinha traçado a Grande Roda com os seis raios, de centro formado pelo Porco, a Serpente e a Pomba (Ignorância, Cólera e Luxúria) e compartimentos com todos os céus e infernos; e todas as possibilidades da vida humana. Dizem os homens que foi o próprio Bodhisar quem primeiro a traçou com grãos de arroz sobre aveia, para ensinar aos discípulos a causa das coisas. os séculos cristalizaram a pintura na mais admirável convenção, coroada por centenas de figurinhas, cada qual com uma significação. Poucos podem traduzir a pintura-parábola; haverá vinte criaturas no mundo que possam traçá-la com segurança, sem modelo, que possam traçá-la e explicá-la, há três."

2014-06-20

Kim (p.191)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"(...) Longa é a estrada que leva aos pés do que é Um; mas por ela todos nós caminhamos."

2014-06-19

Kim (p190)

Rudyard Kipling
Kim (1901)
(trad. Monteiro Lobato)


"- Estou só, completamente só, Kim. Em toda a Índia não há ninguém tão só como eu neste momento. Se morrer hoje, quem dará a notícia, e a quem? (...)"