| Jostein Gaarder Sofies Verden (1995) (trad. Catarina Belo)
"- Eu esqueci-me totalmente do tempo, mamã. Desculpa, mas vê se compreendes, estou a ler uma coisa empolgante."
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2016-04-19
O Mundo de Sofia (p.269)
2015-08-18
D. Quixote de la Mancha (vol.I, p.548)
| Miguel de Cervantes Saavedra D. Quixote de la Mancha (1605) (trad. Aquilino Ribeiro)
"(...) daqui se há-de inferir que qualquer capítulo que se leia da história de um cavaleiro andante causará o deleite e maravilha de quem a ler. Vossa Mercê creia no que lhe digo e vá ler esses livros. Verá como dissipam a melancolia, se é atreito a isso, e lhe dulcificam os humores se os traz maus. O que lhe posso garantir, pelo que me diz respeito, é que depois qu me meti a cavaleiro andante sou valente, comedido, liberal, bem-educado, generoso, cortês, audaz, meigo, tolerante, sofredor, até o estoicismo, de trabalhos, prisões e encantamentos. (...)"
"(...) O pobre está inibido de poder mostrar a virtude da largueza com quem quer que seja, posto a possua em sumo grau. E quanto a espírito de reconhecimento, esse consiste em vê-lo-emos, é um cadáver, como cadáver é a fé sem obras. (...)" |
2015-08-15
D. Quixote de la Mancha (vol.I, p.526-527)
| Miguel de Cervantes Saavedra D. Quixote de la Mancha (1605) (trad. Aquilino Ribeiro)
"(...) Embora o fim de tais livros seja o entretenimento, não sei bem como o podem conseguir, inçados como estão de tantos e tão desaforados disparates. O deleite, que é uma emoção subjectiva, promana do sentimento de beleza e harmonia que a vista ou a imaginação experimentam, Tudo o que encerra em si fealdade ou desproporção lhe é adverso. (...) Se me responderem que estes livros são adrede compostos com o carácter de ficção e mentira, portanto alheios a escrúpulos no que respeita a verdade, observarei que a mentira é tanto mais perfeita quanto mais ares dá de real e tanto mais agradável quanto mais se aproxima da natureza. Para que se tornem recomendáveis, hão-de as fábulas, puramente imaginativas, falar ao entendimento de quem as ler, com tornar acreditável o impossível e humanizar as monstruosidades. Será preciso que mantenham os ânimos em suspensão, e fascinem, arrebatem, divirtam, suscitando igualmente a admiração e o deleite. Dificilmente logrará satisfazer a estes requisitos o autor que fugir da verosimilhança e da imitação, tópicos essenciais da beleza literária. (...)"
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2015-07-16
D. Quixote de la Mancha (vol.I, p.36)
| Miguel de Cervantes Saavedra D. Quixote de la Mancha (1605) (trad. Aquilino Ribeiro)
"(...) o nosso fidalgo embebeu-se tanto de leitura, que levava as noites a ler, desde lusco-fusco a lusco-fusco, e igualmente os dias, desde sol a sol. E assim, de pouco dormir e muito ler, aconteceu ressecarem-se-lhe os miolos e toldar-se-lhe de todo o juízo."
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2015-07-15
D. Quixote de la Mancha (vol.I, p.34)
| Miguel de Cervantes Saavedra D. Quixote de la Mancha (1605) (trad. Aquilino Ribeiro)
"(...) ocupava-se em ler livros de cavalaria com tanto afinco e regalo que descurou quase totalmente o exercício da caça e o governo da fazenda. E chegou a tal ponto a sua curiosa mania, que teve de alienar algumas belgas de bom sementio para comprar alfarrábios do seu gosto. Deste modo atulhou a casa com livros e mais livros."
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2015-05-03
2015-04-27
2015-04-16
A Vida e Opiniões de Tristram Shandy (p.62-63)
| Laurence Sterne The Life and Opinions of Tristram Shandy, Gent. (1759-1761) (trad. Manuel Portela)
"Bem sei que há leitores no mundo, assim como muitas outras pessoas nele existentes que não são leitores,- que não se sentem à vontade, a menos que fiquem logo cientes do segredo, duma ponta à outra, de tudo aquilo que disser respeito a alguém. É apenas para satisfazer estes seus humores, e por um certo provincianismo da minha natureza em não querer desapontar ninguém, que já me meti em todos estes pormenores. Como é provável que a minha vida e opiniões venham a dar que falar no mundo, e, se conjecturo bem, irão atingir todas as ordens, profissões e congregações de homens,- e não serão menos lidas que o próprio Pilgrim's Progress (9)- e, por fim, hão-de tornar-se naquilo que Montaigne (10) mais temia que os seus ensaios se tornassem, isto é, num livro para enfeitar o parapeito da janela da sala de estar; (...)"
(9) Alegoria puritana de John Bunyan (1628-1684), publicada pela primeira vez em 1678, e que se tornou um dos livros mais populares na Grã-Bretanha, logo a seguir à Bíblia. (10) Diz Montaigne, no ensaio acerca da poesia de Virgílio, Essais, III, V: "Aborrece-me que os meus Ensaios sirvam às senhoras apenas para enfeitar os móveis." |
2015-04-14
BibliotecapessoaL (p.61-63)
| José-Alberto Marques BibliotecapessoaL (2014)
"Os livros pertencem aos autores
Os livros talvez pertençam ao meio por onde os autores passeiam Os livros escritos e publicados são inertes e indefesos Os livros escritos e publicados pertencem a todos e a ninguém Os livros quaisquer livros são crianças que não sabem andar Os livros todos os livros só andam de bengala Os livros "quase" todos os livros precisam de uma prateleira Os livros precisam dum primeiro encosto: um jornal Os livros precisam dum segundo encosto: uma rádio ou várias Os livros precisam dum terceiro encosto: um canal de televisão,
[aliás, todos
Os livros precisam dum quarto encosto: um google,
[twitter, facebook
Os livros precisam dum quinto encosto: uma família,
[um 5º império, nada
Os livros, afinal, não precisam de autor, mas dum nome de autor(Os livros são, apenas, o que se escreveu em silêncio, no isolamento, na aprendizagem da solidão, no trabalho de escrever enquanto se tem os pés presos a correntes de ferro com bolas de chumbo.) Os livros, livros, só existem na imaginação do leitor." |
2015-04-07
BibliotecapessoaL (p.25)
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José-Alberto Marques BibliotecapessoaL (2014)
"(...)
As flores crescem exactamente dentro dos leitores. (...)" |
2015-03-12
A Obra ao Negro (p.207)
| Marguerite Yourcenar L'Oeuvre au Noir (1968) (trad. António Ramos Rosa, Luísa Neto Jorge e Manuel João Gomes)
"(...) Nas mãos deles, as Proteorias tornavam-se um instrumento levemente falseado, mas é sempre de esperar semelhantes desvios, enquanto um livro existir e actuar no espírito dos homens. (...)"
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2014-08-25
A Montanha Mágica (p.285)
| Thomas Mann Der Zauberberg (1924) (trad. Herbert Caro)
"(...) Hans Castorp replicou que preferia possuir os livros, e que a leitura é muito diferente quando o livro nos pertence; (...)" |
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