| William Golding The Lord of Flies (1954) (trad. Luís de Sousa Rebelo)
"(...) Mas a ilha estava carbonizada como lenha velha, Simão estava morto e Jack tinha... As lágrimas saltam-lhe dos olhos e os soluços sacodem-no. Entrega-se-lhes agora pela primeira vez desde que pisara aquela ilha; grandes e estremecidos espasmos de mágoa, que pareciam torcer-lhe todo o corpo. A sua voz eleva-se sob a negra fumarada perante os destroços ardentes da ilha, e, infectados por aquela emoção, os outros rapazinhos tremem e soluçam. E, no meio deles, de corpo imundo, cabelo emaranhado e nariz sujo, Rafael chora o fim da inocência, o negrume do coração do homem e a queda pelo ar daquele verdadeiro e sensato amigo que se chamava o Bucha."
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2016-02-26
O Deus das Moscas (p.199)
2014-07-28
As Intermitências da Morte (p.209)
| José Saramago As Intermitências da Morte (2005)
"(...) Pensando bem, não tenho ideia nenhuma de quem és, mas isso não conta, o que importa é que gostemos um do outro. A amargura do violoncelista foi diminuindo a pouco e pouco, em verdade o mundo está mais que farto de episódios como este, ele esperou e ela faltou, ela esperou e ele não veio, no fundo, e aqui para nós, cépticos e descrentes que somos, antes isso que uma perna partida. Era fácil dizê-lo, mas bem melhor seria tê-lo calado, porque as palavras têm muitas vezes efeitos contrários aos que se haviam proposto, tanto assim que não é raro que estes homens ou aquelas mulhers jurem e preguejem, Detesto-a, Detesto-o, e logo rebentem em lágrimas depois da palavra dita. (...)"
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2014-07-27
As Intermitências da Morte (p.208-209)
| José Saramago As Intermitências da Morte (2005)
"(...) Aprende, pensava, aprende de uma vez, pedaço de estúpido, portaste-te como um perfeito imbecil, puseste os significados que desejavas em palavras que afinal de contas tinham outros sentidos, e mesmo esses não os conheces nem conhecerás, acreditaste em sorrisos que não passavam de meras e deliberadas contracções musculares, esqueceste-te de que levas quinhentos anos às costas apesar de caridosamente to haverem recordado, e agora eis-te aí, como um trapo, deitado na cama onde esperavas recebê-la, enquanto ela se está rindo da triste figura que fizeste e da tua incurável parvoíce. (...)"
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2014-05-01
As Aventuras de Tom Sawyer (p.116)
| Mark Twain The Adventures of Tom Sawyer (1876) (trad. Maria João Freire de Andrade)
"(...) animava-se sempre que um avental surgia no seu campo de visão, e assim que via que a dona do avental não era a certa detestava-a de imediato. Por fim, os aventais deixaram de aparecer e Tom sentiu-se verdadeiramente triste. Entrou na sala de aula vazia e sentou-se a sofrer. Depois um último avental passou pelo portão e o coração de Tom deu um grande salto. No instante seguinte estava no recreio a «portar-se» como um índio; gritava, ria, perseguia rapazes, saltava por cima da vedação colocando em risco os seus membros, atirava fisgadas, fazia o pino - fazia todas as coisas heróicas de que se conseguia lembrar e durante todo esse tempo lançava olhares furtivos na direcção de Becky Thatcher para ver se ela estava a reparar. Mas ela parecia inconsciente de tudo aquilo e nem uma vez o olhou. Poderia ela não perceber que ele estava ali? Levou as suas brincadeiras até muito perto dela. Começou a soltar gritos de guerra, roubou o boné a um rapaz, atirou-o para cima do telhado da escola, atravessou a correr um grupo de rapazes, a atirar-se em todas as direcções e acabou por cair ao comprido mesmo em frente do nariz de Becky, quase a empurrando. Ela depois virou-se de nariz no ar, e ele ouviu-a dizer: - Algumas pessoas pensam que são muito engraçadinhas... sempre a exibirem-se! Tom sentiu-se corar. levantou-se e afastou-se dali, triste e desanimado." |
2014-04-29
As Aventuras de Tom Sawyer (p.80)
Mark Twain
The Adventures of Tom Sawyer (1876)
(trad. Maria João Freire de Andrade)
The Adventures of Tom Sawyer (1876)
(trad. Maria João Freire de Andrade)
"(...) ela teve de esconder a sua dor e calar o seu coração partido, e pegar na cruz de uma tarde longa e angustiante sem ninguém para além de estranhos com os quais não poderia desabafar toda a sua tristeza."
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