| Miguel de Cervantes Saavedra D. Quixote de la Mancha (1605) (trad. Aquilino Ribeiro)
"(...) Quer saber o que acho mais bonito? São as lamúrias dos cavaleiros quando estão apartados de suas senhoras. Às vezes fazem-me tanta pena, tanta pena, que me vêm as lágrimas aos olhos!
- Se chorassem pela menina, bem decerto lhe dava remédio?... - interpôs Doroteia. - Lá o que faria, não sei - respondeu a mocinha. - O que sei é que algumas daquelas senhoras mostram-se tão cruéis que os cavaleiros chamam-lhes tigres, leoas e outros mil impropérios. Jesus, Maria, muito desalmada e sem consciência é tal gente que só para não pôr os olhos num homem honrado o deixam morrer ou dar em doido. (...)" |
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2015-08-04
D. Quixote de la Mancha (vol.I, p.355)
2014-09-12
A Montanha Mágica (p.471-472)
| Thomas Mann Der Zauberberg (1924) (trad. Herbert Caro)
"(...) A compaixão que uma pessoa sadia manifestava a um doente e levava até à forma de veneração, simplesmente por ser incapaz de imaginar como ela mesma suportaria tais sofrimentos - essa compaixão era muito exagerada, o doente não tinha direito a ela, surgia de um erro de raciocínio ou de imaginação, na mesma medida em que o homem são atribui ao doente a sua própria maneira de viver e imagina que o doente é, de certo modo, uma pessoa sadia, que tem de suportar os tormentos da enfermidade - o que é um redondo engano. O doente é justamente um doente, com a natureza particular e o modo de sentir modificado que a doença acarreta. Esta prepara a vítima com o fim de adaptá-la a si própria. Há diminuições de sensibilidade, desfalecimentos, narcoses providenciais, toda a espécie de subterfúgios e expedientes morais e espirituais, que o homem são, na sua ingenuidade, se esquece de ter em conta. (...)"
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