| David O. Russell Amsterdam (2022)
A lot of this actually happened.
Uma boa surpresa. Passado nos anos 30 do século XX, uma época que só por si já me atrai, conta a história de três amigos (dois soldados e uma enfermeira) que no rescaldo da I Guerra Mundial fazem um pacto de entreajuda. Anos mais tarde, incriminados de um crime a que assistiram, vão fazer valer o pacto, para descobrirem uma conspiração que vai muito além daquilo que esperavam. Inspirado na Business Plot, uma conspiração de ricos empresários americanos que em 1933 pretendia derrubar o Presidente Franklin D. Roosevelt e substituí-lo por um regime fascista liderado pelo Major General Smedley Butler, que não pactuou com ela. Irma St. Clair: It's fine. True love is based on choice, not need. Do you need your wife, or do you choose your wife? Burt Berendsen: Well, can't it be both? Irma St. Clair: No. The second one is the one that truly matters. At the end of the day, it is. Choice matters over need. Burt Berendsen: I don't like to be alone. Irma St. Clair: That sounds like need. Burt Berendsen: Love is not enough. You got to fight to protect kindness. You get attached to people and things. And they might just break your heart. But that's being alive. |
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2022-11-27
Amesterdão
2018-02-16
Crónica do Pássaro de Corda (p.388)
| Haruki Murakami The Wind-Up Bird Chronicle (ねじまき鳥クロニクル Nejimakitori Kuronikuru) (1994) (trad. Maria João Lourenço)
"Uma vez em casa liguei o rádio e sentei-me à mesa da cozinha, a beber uma cerveja e, como de costume, a ouvir música. Foi então que me ocorreu que tinha vontade de falar com alguém. Do tempo, do governo, de qualquer coisa. Tanto fazia, desde que pudesse trocar dois dedos de conversa com outra pessoa. Para mal dos meus pecados, não me lembrei de ninguém. Nem sequer com o gato podia contar."
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2018-02-14
Crónica do Pássaro de Corda (p.362)
| Haruki Murakami The Wind-Up Bird Chronicle (ねじまき鳥クロニクル Nejimakitori Kuronikuru) (1994) (trad. Maria João Lourenço)
"(...)Estou em crer, porém, que se existir da sua parte a mínima intenção de esperar um pouco mais por ela, nesse caso deverá manter-se fiel aos seus propósitos e continuar a fazê-lo como até agora tem acontecido. É isto que se me oferece dizer sobre o assunto, por muito pouco que valha a minha opinião. Para mal dos meus pecados, sei por experiência própria o que significa continuar a viver sozinho num mesmo lugar depois de se ter sido abandonado, mas, acredite em mim, não há nada tão cruel neste mundo como a tristeza de não ter nada por que esperar."
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2016-10-23
Crónica do Pássaro de Corda (p.97)
| Haruki Murakami The Wind-Up Bird Chronicle (ねじまき鳥クロニクル Nejimakitori Kuronikuru) (1994) (trad. Maria João Lourenço)
"(...) Não tinha a quem pedir conselhos, não havia ninguém com quem pudesse partilhar o seu segredo. Isso fez dela, nos seus verdes anos, uma adolescente muito solitária. Tinha de resolver os seus próprios problemas, encontrar sozinha as suas respostas. (...)"
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2016-05-28
O Velho e o Mar (p.54-55)
| Ernest Hemingway The Old Man and the Sea (1952) (trad. Jorge de Sena)
"(...) Alongou os olhos pelo mar e notou como estava só. Mas distinguia os prismas na água profunda e sombria e a linha estendendo-se adiante e a estranha ondulação da calmaria. As nuvens amontoavam-se ante os alísios, e, olhando em frente, viu um bando de patos-bravos desenhando-se contra o céu, acima das águas, depois esborratando-se, desenhando-se outra vez, e reconheceu que o homem nunca está só no mar."
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2016-05-24
O Velho e o Mar (p.37-38)
| Ernest Hemingway The Old Man and the Sea (1952) (trad. Jorge de Sena)
"Não se recordava já de quando começara a falar em voz alta, se andava só. Nos bons tempos, andando sozinho, cantava, e cantara às vezes de noite, quando ficava só, de quarto ao leme, nos veleiros ou na pesca da tartaruga. Provavelmente, principiara a falar sozinho em voz alta quando o rapaz deixara de o acompanhar. Mas não se lembrava. Quando ele e o rapaz pescavam juntos, em geral falavam só quando era necessário. Falavam de noite, ou quando iam levados pelo temporal, se havia mau tempo. Era considerado uma virtude não falar inutilmente no mar, e o velho sempre assim considerara e respeitava o uso. Mas agora pensava em voz alta muitas vezes, desde que não vinha com ele quem quer que pudesse aborrecer-se."
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2016-01-13
Os Passos em Volta (p.68)
| Herberto Hélder Os Passos em Volta (1963)
[ESCADAS E METAFÍSICA]
"(...) Há gente no corredor. Vai-se ver. Nada. Ninguém. As pessoas perdem-se nos desvãos, degraus, cotovelos, nas penumbras da casa confusa. Está-se completamente só no meio dos outros. Os pátios são de pedra enegrecida, o puxador de ferro da porta oxidou-se pelos anos fora. Há uma solidão ingénua e sombria em todas estas coisas, um grave anonimato esparso. Tudo me comove e torna humilde: o corrimão sujo, os degraus gastos, os caixotes do lixo amontoados à entrada. (...)" |
2016-01-12
Os Passos em Volta (p.67)
| Herberto Hélder Os Passos em Volta (1963)
[ESCADAS E METAFÍSICA]
"(...) Apetecia-me ficar só. (...) Não sentir ninguém nem falar nem me ver obrigado à condescendência ou à fraternidade. Sou um neurótico, vê-se logo. Um egoísta. Deixem-me. Não vou amar o mundo. Estou-me nas tintas. (...)" "(...) Conhecem esses edifícios velhos, com patamares e cancelas insólitas, súbitas derivações de corredores e escadas de três degraus partindo da escada principal para uma porta enigmática, pintada da castanho-escuro e com uma aldraba monstruosa? Admiro a inútil imaginação desses arquitectos e construtores. (...)" |
2015-08-08
Solidão vs. Isolamento
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solidão so.li.dão - [suliˈdɐ̃w̃] nome feminino
1. estado do que está só, isolamento
2. lugar solitário, retiro i.so.la.men.to - [izulɐˈmẽtu] nome masculino
1. acto ou efeito de isolar
2. estado de pessoa ou coisa separada do que a rodeia; isolação 3. revestimento de algo com material que impede a passagem da corrente eléctrica, do som ou do calor
solidão in Dicionário da Língua Portuguesa sem Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-08-08 08:45:00]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa-aao/solidão
isolamento in Dicionário da Língua Portuguesa sem Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-08-08 08:45:00]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa-aao/isolamento |
2015-07-08
Obra Poética (p.188)
| António Gedeão Obra Poética [Novos Poemas Póstumos] (1990-2001)
"Poema das árvores
As árvores crescem sós. E a sós florescem. Começam por ser nada. Pouco a pouco se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo. Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos, e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se. Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores, e então crescem as flores, e as flores produzem frutos, e os frutos dão sementes, e as sementes preparam novas árvores. E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas. Sem verem, sem ouvirem, sem falarem. Sós. De dia e de noite. Sempre sós. Os animais são outra coisa. Contactam-se, penetram-se, trespassam-se, fazem amor e ódio, e vão à vida como se nada fosse. As árvores, não. Solitárias, as árvores, exauram terra e sol silenciosamente. Não pensam, não suspiram, não se queixam. Estendem os braços como se implorassem; com o vento soltam ais como se suspirassem; e gemem, mas a queixa não é sua. Sós, sempre sós. Nas planícies, nos montes, nas florestas, A crescer e a florir sem consciência. Virtude vegetal viver a sós E entretanto dar flores." |
2015-06-17
Obra Poética (p.46)
| António Gedeão Obra Poética [Teatro do Mundo] (1958-2001)
"Poema do homem só
Sós, irremediavelmente sós, como um astro perdido que arrefece. Todos passam por nós e ninguém nos conhece. Os que passam e os que ficam. Todos se desconhecem. Os astros não se explicam: arrefecem. Nesta envolvente solidão compacta, quer se grite ou não se grite, nenhum dar-se de dentro se refracta, nenhum ser nós se transmite. Quem sente o meu sentimento sou eu só, e mais ninguém. Quem sofre o meu sofrimento sou eu só, e mais ninguém. Quem estremece este meu estremecimento sou eu só, e mais ninguém. Dão-se os lábios, dão-se os braços, dão-se os olhos, dão-se os dedos, bocetas de mil segredos dão-se em pasmados compassos; dão-se as noites, dão-se os dias, dão-se aflitivas esmolas, abrem-se e dão-se as corolas breves das carnes macias; dão-se os nervos, dá-se a vida, dá-se o sangue gota a gota, como uma braçada rota dá-se tudo e nada fica. Mas este íntimo secreto que no silêncio concentro, este oferecer-se de dentro num esgotamento completo, este ser-se sem disfarce, virgem de mal e de bem, este dar-se, este entregar-se, descobrir-se e desflorar-se, é nosso, de mais ninguém." |
2015-02-02
Um, Nenhum e Cem Mil (p.122)
| Luigi Pirandello Uno, Nessuno e Centomila (1926) (trad. Maria Jorge Vilar de Figueiredo)
"(...) Estava só. Estava só, no mundo inteiro. Só, para mim mesmo. E no instante preciso do arrepio que agora me fazia estremecer até à raiz dos cabelos, sentia a eternidade e o gelo dessa solidão infinita.
A quem dizer «eu»? O que queria dizer esse «eu», se para os outros tinha um sentido e um valor que não podiam ser os meus, e para mim, tão fora dos outros, assumir um sentido e um valor transformava-se, de súbito, no horror deste vazio e desta solidão?" |
2015-01-20
Um, Ninguém e Cem Mil (p.19-20)
| Luigi Pirandello Uno, Nessuno e Centomila (1926) (trad. Maria Jorge Vilar de Figueiredo)
"Queria estar só de uma forma verdadeiramente insólita, nova. Ao contrário do que vocês pensam, isto é, sem mim e justamente com um estranho à minha volta.
Parece-vos já um primeiro sinal de loucura? Talvez por não terem reflectido bem. Não nego que a loucura pudesse já estar em mim; mas peço-vos que acreditem que esta é a única maneira de se estar verdadeiramente só. A solidão já não está com vocês; está sempre sem vocês e só é possível com um estranho à vossa volta: lugar ou pessoa que seja, que vos ignoram totalmente, que vocês ignoram totalmente, de maneira que a vossa vontade, o vosso sentimento fiquem suspensos e perdidos numa incerteza angustiante e, cessando toda a afirmação de vocês próprios, cesse a própria intimidade da vossa consciência. A verdadeira solidão está nesse lugar que vive por si e que para vocês não tem rosto nem voz, e por isso nesse lugar vocês são o estranho." |
2014-07-24
As Intermitências da Morte (p.197)
| José Saramago As Intermitências da Morte (2005)
"(...) Não foi o único dos músicos a dar pela sua presença. Em primeiro lugar porque ela ocupava sozinha o camarote, o que, não sendo caso raro, tão-pouco é frequente. Em segundo lugar porque era bonita, porventura não a mais bonita entre a assistência feminina, mas bonita de um modo indefinível, particular, não explicável por palavras, como um verso cujo sentido último, se é que tal coisa existe num verso, continuamente escapa ao tradutor. E finalmente porque a sua figura isolada, ali no camarote, rodeada de vazio e ausência por todos os lados, como se habitasse um nada, parecia ser a expressão da solidão mais absoluta. (...)"
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2014-06-19
Kim (p190)
| Rudyard Kipling Kim (1901) (trad. Monteiro Lobato)
"- Estou só, completamente só, Kim. Em toda a Índia não há ninguém tão só como eu neste momento. Se morrer hoje, quem dará a notícia, e a quem? (...)" |
2014-06-01
A Misteriosa Chama da Rainha Loana (p.366)
| Umberto Eco La Misteriosa Flamma Della Regina Loana (2004) (trad. Simonetta Neto)
"Sou um ser excepcional exilado entre os filisteus. Fecho-me ainda mais orgulhosamente na minha solidão."
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2014-04-29
As Aventuras de Tom Sawyer (p.80)
Mark Twain
The Adventures of Tom Sawyer (1876)
(trad. Maria João Freire de Andrade)
The Adventures of Tom Sawyer (1876)
(trad. Maria João Freire de Andrade)
"(...) ela teve de esconder a sua dor e calar o seu coração partido, e pegar na cruz de uma tarde longa e angustiante sem ninguém para além de estranhos com os quais não poderia desabafar toda a sua tristeza."
2014-04-11
Mutts (p.16)
Patrick McDonnell
Mutts (1995)
(trad. Jorge Lima)
Mutts (1995)
(trad. Jorge Lima)
Gato ou cão?
Quando consigo ficar sozinho para fazer as "minhas coisas", por escolha, aproximo-me do gato.
Quando fico sozinho por força das circustâncias, não raras vezes fico como o cão...
Estas tiras são um mimo!
Quando consigo ficar sozinho para fazer as "minhas coisas", por escolha, aproximo-me do gato.
Quando fico sozinho por força das circustâncias, não raras vezes fico como o cão...
Estas tiras são um mimo!
2014-03-31
Por Quem os Sinos Dobram (p.91)
Ernest Hemingway
For Whom the Bell Tolls
(1940)
(trad. Monteiro Lobato)
For Whom the Bell Tolls
(1940)
(trad. Monteiro Lobato)
"- A gente tem de falar com alguém. Antes havia a religião e outras porcarias. Agora devia haver uma pessoa em quem pudéssemos confiar e com quem falar francamente; porque por maior que seja a nossa coragem, a solidão dói."
"- A tristeza desaparece com o sol. É como o nevoeiro."
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