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2016-01-07

O Grande Gatsby (p.172)

F. Scott Fitzgerald
The Great Gatsby (1925)
(trad. José Rodrigues Miguéis)


"O Grande Gatsby acreditara na luz verde, no orgíaco futuro que, ano após ano, foge e recua diante de nós. Se hoje nos iludiu, pouco importa: amanhã correremos mais depressa, alongaremos mais os braços... Até que uma bela manhã...
Assim vamos teimando, proas contra a corrente, incessantemente cortando as águas, a caminho do passado que não volta."

2016-01-06

O Grande Gatsby (p.171)

F. Scott Fitzgerald
The Great Gatsby (1925)
(trad. José Rodrigues Miguéis)


"(...) Tinha vindo de longe para chegar a este relvado azul, e o sonho deve-lhe ter parecido tão próximo que só dificilmente poderia escapar ao seu abraço. Não sabia que o sonho era já uma coisa do passado, atrás dele, perdido algures na vasta obscuridade para além do clarão da cidade, onde os vastos plainos da República se desenrolavam sem fim sob o céu estrelado."

2016-01-05

O Grande Gatsby (p.170)

F. Scott Fitzgerald
The Great Gatsby (1925)
(trad. José Rodrigues Miguéis)


"Não podia perdoar-lhe nem gostar dele mas compreendi que o que ele tinha feito era, aos seus olhos, inteiramente justificado. Tudo muito impensado e confuso. Era uma gente estouvada, a Daisy e o Tom - despedaçavam coisas e pessoas e, depois, entrincheiravam-se no seu imenso dinheiro ou na sua insensatez, ou lá o que era que os mantinha unidos, e deixavam aos outros o cuidado de varrer os estragos por eles produzidos..."

2016-01-04

O Grande Gatsby (p.116)

F. Scott Fitzgerald
The Great Gatsby (1925)
(trad. José Rodrigues Miguéis)


"O coração bateu-lhe mais e mais depressa, à medida que o rosto dela se aproximou do seu. Sabia que quando tivesse beijado esta rapariga, e para sempre consorciado as suas indizíveis visões ao imperecível hálito dela, a sua mente não voltaria a vaguear, como Deus, pelo infinito. Esperou, pois, mais um instante para tornar a ouvir o diapasão de prata que ressoara, batendo numa estrela. Então beijou-a. Quando os seus lábios a tocaram, ela abriu-se para ele como uma flor e a encarnação foi completa."

2016-01-03

O Grande Gatsby (p.115)

F. Scott Fitzgerald
The Great Gatsby (1925)
(trad. José Rodrigues Miguéis)


"- O senhor não devia exigir-lhe demasiado. O passado não se pode repetir.
- Não se pode repetir? - gritou ele, incrédulo. - Claro que sim, que se pode!
Olhou em torno, esgazeado, como se o passado o estivesse espreitando, aqui na sombra da casa, mas fora do seu alcance.
- Vou tornar a pôr tudo como dantes era - disse ele, assentindo com determinação. - E ela vai ver!
Falou muito tempo do passado e pareceu-me entender que pretendia recuperar alguma coisa, uma ideia de si mesmo, talvez, que tinha entrado no seu amor por Daisy. A vida tinha-se-lhe tornado desde então desordenada e confusa, mas, pudesse ele regressar a um certo ponto de partida e passar tudo em revista com vagar, talvez ainda conseguisse descobrir que coisa era essa..."

2016-01-02

O Grande Gatsby (p.111)

F. Scott Fitzgerald
The Great Gatsby (1925)
(trad. José Rodrigues Miguéis)


"(...) É invariavelmente uma triste experiência, isto de olhar com os olhos diferentes para coisas sobre as quais já havíamos exercido os nossos próprios dons de ajustamento."

2016-01-01

O Grande Gatsby (p.103-104)

F. Scott Fitzgerald
The Great Gatsby (1925)
(trad. José Rodrigues Miguéis)


"(...) Quase cinco anos! Deve ter havido, nessa tarde, momentos em que a própria Daisy há-de ter ficado aquém do sonho - não por culpa dela, mas devido à colossal vitalidade da própria ilusão. Tudo a tinha ultrapassado, ultrapassado tudo. O Gatsby precipitara-se todo inteiro naquele sonho, com toda a sua paixão criadora, acrescentando-o hora a hora, ornando-o de todas as plumas e pedrarias de cor que de caminho lhe surgiam. Não há fogo nem refrigério, por grandes que sejam, que possam aceitar o repto de todos os fantasmas ocultos no coração do homem."

2015-12-31

O Grande Gatsby (p.100)

F. Scott Fitzgerald
The Great Gatsby (1925)
(trad. José Rodrigues Miguéis)


"Não tinha deixado de olhar a Daisy um só instante, e creio que reavaliou tudo o que tinha na casa de harmonia com a medida da reacção que leu nos bem-amados olhos dela. Por vezes, relanceava também o olhar esgazeado às suas inúmeras posses, como se, na presença real e assombrosa dela, tudo aquilo tivesse perdido a realidade. (...)"

2015-12-30

O Grande Gatsby (p.75)

F. Scott Fitzgerald
The Great Gatsby (1925)
(trad. José Rodrigues Miguéis)


"(...) ela tinha deliberadamente alterado o plano das nossas relações e durante um momento julguei que a amava. Mas sou vagaroso a pensar, cheio de regras interiores que actuam como freios sobre os meus impulsos, (...)
Cada um julga-se possuidor de, pelo menos, uma das virtudes cardeais, e esta é a minha: sou uma das raras pessoas honestas que já encontrei na vida."

2015-12-29

O Grande Gatsby (p.66)

F. Scott Fitzgerald
The Great Gatsby (1925)
(trad. José Rodrigues Miguéis)


"(...) Era um destes raros sorrisos que trazem consigo uma espécie de confiança, como só os encontramos quatro ou cinco vezes na vida. Encarava por um instante - ou parecia encarar - todo o mundo exterior, e depois concentrava-se em nós com um preconceito irresistível a nosso favor. Entendia-nos só até onde a nossa pessoa desejaria ser entendida, acreditava em nós como gostaríamos de acreditar em nós próprios e assegurava-nos ter a nosso respeito, precisamente, a impressão que desejaríamos causar aos outros, nos nossos melhores momentos. (...)"

2015-12-28

O Grande Gatsby (p.63)

F. Scott Fitzgerald
The Great Gatsby (1925)
(trad. José Rodrigues Miguéis)


"(...) Todos nos voltámos a procurar o Gatsby com a vista. Que ele inspirava uma romântica especulação, provava-o o facto de que aqueles mesmos que achavam no mundo pouco que censurar murmuravam a respeito dele."

2015-12-27

O Grande Gatsby (p.29)

F. Scott Fitzgerald
The Great Gatsby (1925)
(trad. José Rodrigues Miguéis)


"Era eu rapaz, e ainda impressionável, meu pai deu-me um dia em conselho que, desde então, me ficou às voltas na cabeça. Disse ele:
- Quando te sentires com vontade de criticar alguém, lembra-te disto: nem todos tiveram neste mundo as vantagens que tu tiveste.
(...)"