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2016-01-05

O Grande Gatsby (p.170)

F. Scott Fitzgerald
The Great Gatsby (1925)
(trad. José Rodrigues Miguéis)


"Não podia perdoar-lhe nem gostar dele mas compreendi que o que ele tinha feito era, aos seus olhos, inteiramente justificado. Tudo muito impensado e confuso. Era uma gente estouvada, a Daisy e o Tom - despedaçavam coisas e pessoas e, depois, entrincheiravam-se no seu imenso dinheiro ou na sua insensatez, ou lá o que era que os mantinha unidos, e deixavam aos outros o cuidado de varrer os estragos por eles produzidos..."

2015-11-20

O Jogador (p.22)

Fédor Dostoievski
I Grok (1866)
(trad. Maria Georgina Segurado)


"(...) A relação que se estabeleceu entre nós é estranha e em grande parte incompreensível aos meus olhos, considerando o seu orgulho e arrogância para com toda a gente. Sabe, por exemplo, que estou loucamente apaixonado por ela, e permite que lhe fale da minha paixão, e, claro, nada exprimiria de forma mais completa o seu desprezo do que esta autorização para falar livremente e sem censura do meu amor. Equivale a dizer: «Tenho em tão pouca conta os seus sentimentos que não faz para mim a menor diferença o que me disser ou o que sentir pela minha pessoa.» (...)"

2015-03-09

A Obra ao Negro (p.177)

Marguerite Yourcenar
L'Oeuvre au Noir (1968)
(trad. António Ramos Rosa, Luísa Neto Jorge e Manuel João Gomes)


"(...) Feriam essas leis indivíduos de condição mais obscura, conquanto a obscuridade fosse por si só um abrigo: a despeito dos anzóis, das redes e dos cestos de vime, a maior parte dos peixes prossegue, em negras profundidades, o seu caminho sem deixar rasto, não se importando com o que sofrem os companheiros que estrebucham ensanguentados na ponte de um barco. (...)"

2015-02-17

A Obra ao Negro (p.89)

Marguerite Yourcenar
L'Oeuvre au Noir (1968)
(trad. António Ramos Rosa, Luísa Neto Jorge e Manuel João Gomes)


"- Que vem a ser o erro, e o seu sucedâneo, a mentira - prosseguiu Zenão -, senão uma espécie de Caput Mortuum, uma matéria morta sem a qual a verdade, excessivamente volátil, não poderia ser triturada no cadinho humano? Esses pensadores comezinhos erguem aos píncaros da Lua aqueles que se lhes assemelham e insurgem-se contra os que se lhes opõem; se as nossas ideias forem, na verdade, de diferente teor dos deles, não as percebem; nem sequer as vêem, como um animal rancoroso depressa esquece, no chão da sua jaula, um objecto insólito que não consiga destruir ou devorar. E assim é possível tornarmo-nos invisíveis."

2015-02-14

A Obra ao Negro (p.68)

Marguerite Yourcenar
L'Oeuvre au Noir (1968)
(trad. António Ramos Rosa, Luísa Neto Jorge e Manuel João Gomes)


"(...) Simão encarava tudo aquilo com a indiferença de um homem prestes a abandonar uma cidade, e a quem tudo o que aí aconteça já não consegue afectar. Mas sua enorme bondade de outrora esgotara-se como água de uma nascente. (...)"