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2025-09-04

Sobre a Brevidade da Vida (p. 90)

Séneca
De brevitate vitae (49)
(trad. Romão Cunha)
De Tranquillitate Animi (60)


[Sobre a Tranquilidade da Alma]

"(...) A verdadeira medida da riqueza é libertarmo-nos da miséria sem nos afastarmos demasiado da pobreza.
Além disso, estaremos satisfeitos com este limite se praticarmos a moderação, sem a qual nenhuma quantidade de riqueza é suficiente, já que a modéstia também pode levar ao desperdício; especialmente porque a economia é um recurso que está ao nosso alcance: pode até, com a ajuda da frugalidade, converter a pobreza em riqueza. Habituemo-nos a abolir a ostentação, procuremos usar e não exibir. (...)"

2025-08-28

Sobre a Brevidade da Vida (p. 56)

Séneca
De brevitate vitae (49)
(trad. Romão Cunha)
De Consolatione ad Helviam Matrem (42-43)


[Consolação a Hélvia]

"(...) nenhuma quantidade de líquido satisfará aquele cuja sede não se deve à falta de água, mas sim a uma febre interna; pois não é de sede que se trata, mas sim de uma doença. Este excesso não é peculiar à gula e à ganância. Esta é a natureza dos desejos que o vício, não a indigência, gera: todos os alimentos que consomem, longe de os satisfazer, apenas aumentam a sua intensidade. Por isso, o homem que se contiver dentro dos limites estabelecidos pela natureza não notará a pobreza; o homem que exceder esses limites será perseguido pela pobreza, por mais rico que seja. (...) É a alma que nos traz riqueza; segue o homem no exílio; e, nos desertos mais terríveis, desde que encontres algo que sustente o corpo, desfruta dos teus próprios bens e banha-te na abundância. (...)"

2015-08-31

D. Quixote de la Mancha (vol.II, p.59)

Miguel de Cervantes Saavedra
D. Quixote de la Mancha (1605)
(trad. Aquilino Ribeiro)


"(...) verdadeiramente só são fidalgas e ilustres aquelas famílias ou linhagens assinaladas pelo mérito, a riqueza e a gesta liberal dos seus representantes. Disse mérito, riqueza e gesta liberal, porque o grande que for vicioso será apenas um grande vicioso; o rico, que não for liberal, será apenas um avaro sem nada de seu, pois que possuir riquezas não basta. O importante é saber usar delas, não à matroca, mas com tino e inteligência. Ao cavaleiro pobre não lhe fica outro caminho para mostrar que é cavaleiro senão o do mérito. Tem de mostrar que é afável, bem-educado, cortês, acomodado e prestável. Que não seja soberbo, nem arrogante e murmurador. Mostre-se caridoso que, com dois ceitis que dá ao pobre de boa mente, competirá em liberalidade com o que, dando esmola, tilinta a moeda na bandeja, e quem o vir, exornado de tais virtudes, pois o não conheça, julgá-lo-á de boa raça, e seria absurdo que o não fosse. Louvá-lo-ão, porque por via de regra este prémio deve ser reservado às pessoas de merecimento. (...)"