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2026-03-31

Meditações (p. 103)

Marco Aurélio
Τὰ εἰς ἑαυτόν [Ta eis heauton] (161-180)
(trad. Liliana Sousa)


Livro 8
"47. O problema não são as coisas exteriores, é a avaliação que fazes delas. Se a causa do problema é algo no teu carácter, quem está a impedir-te de corrigires os teus princípios? E se é por alguma coisa que não estás a fazer e acreditas que deverias estar a fazer, porque não começas a fazê-lo?
«Mas existem obstáculos insuperáveis.»
Nesse caso, não é um problema. A causa da tua inação é exterior a ti.
«Mas como posso continuar a viver com isto por fazer?»
Deves prosseguir, com a consciência tranquila, como se o tivesses feito, e aceitando também os obstáculos."

2026-03-30

Meditações (p. 96)

Marco Aurélio
Τὰ εἰς ἑαυτόν [Ta eis heauton] (161-180)
(trad. Liliana Sousa)


Livro 8
"16. Mudares de ideias e aceitares as correcções que te fazem também são atos de liberdade. Uma atitude destas é apenas tua, baseada na tua vontade, nas tuas decisões — e da tua própria mente."

2016-06-20

Elogio da Loucura (p37-38)

Erasmo de Roterdão
Stultitiae Laus (1509-1511)
(trad. Álvaro Ribeiro)


"XXII - Dizei-me: pode amar a alguém, aquele que se aborrece de si próprio? Pode concordar com alguém, aquele que está em dissídio consigo? Pode ser agradável a alguém, aquele que para si é grave e molesto? Ninguém o poderá afirmar, a não ser que seja mais estulto do que a Estultícia. Se me excluísseis, não poderíeis suportar o próximo, e contra vós próprios sentiríeis desgosto e ódio. A Natura, não poucas vezes mais madrasta do que a mãe, influi no engenho dos mortais, sobretudo dos poucos cordatos, o descontentamento do próprio e a admiração do alheio. O que faz viciar e perecer todos os dotes, toda a elegância, toda a graça da vida. De que serve a formosura, principal dádiva dos deuses imortais, se ela não for estimada? De que serve a mocidade, se for corrompida por uma tristeza senil? (...) Que é tão estulto, como a ti próprio agradares e admirares? Mas também que farás de belo, gracioso, decoroso, se estiveres descontente contigo? (...) Tão necessário é que cada qual esteja satisfeito consigo, e que procure o aplauso em si próprio antes de o procurar nos outros."

2016-06-10

Elogio da Loucura (p.10-11)

Erasmo de Roterdão
Stultitiae Laus (1509-1511)
(trad. Álvaro Ribeiro)


[na dedicatória]

"Quanto aos que de mordacidade me acusam, responderei que sempre ao escritor foi permitida a liberdade de se rir das inferioridades da vida humana, com a condição de não ofender a ninguém. Admiro a delicadeza dos ouvidos do nosso tempo, que não admitem mais do que a linguagem plena de lisonja solene. Vemos religiosos que compreendem a sua confissão às avessas, e que tolerariam mais uma blasfémia gravíssima contra Cristo do que a mais leve sátira contra um pontífice ou um príncipe, sobretudo se lhe devem o pão.
Criticar os costumes dos homens, sem atacar qualquer pessoa denominada, será efectivamente morder? Não será antes ensinar ou aconselhar? Aliás, não faço incessantemente a crítica de mim próprio? Uma sátira que não exclui género de vida, não ataca qualquer homem particular, mas os vícios de todos. Se alguém se ergue a clamar que foi lesado, procederá segundo a voz da sua consciência, que o acusa. (...)"

2016-03-25

O Mundo de Sofia (p.128)

Jostein Gaarder
Sofies Verden (1995)
(trad. Catarina Belo)


"... eu imponho a mim mesmo uma severa censura ..."

2015-12-31

O Grande Gatsby (p.100)

F. Scott Fitzgerald
The Great Gatsby (1925)
(trad. José Rodrigues Miguéis)


"Não tinha deixado de olhar a Daisy um só instante, e creio que reavaliou tudo o que tinha na casa de harmonia com a medida da reacção que leu nos bem-amados olhos dela. Por vezes, relanceava também o olhar esgazeado às suas inúmeras posses, como se, na presença real e assombrosa dela, tudo aquilo tivesse perdido a realidade. (...)"

2015-12-30

O Grande Gatsby (p.75)

F. Scott Fitzgerald
The Great Gatsby (1925)
(trad. José Rodrigues Miguéis)


"(...) ela tinha deliberadamente alterado o plano das nossas relações e durante um momento julguei que a amava. Mas sou vagaroso a pensar, cheio de regras interiores que actuam como freios sobre os meus impulsos, (...)
Cada um julga-se possuidor de, pelo menos, uma das virtudes cardeais, e esta é a minha: sou uma das raras pessoas honestas que já encontrei na vida."

2015-10-09

D. Quixote de la Mancha (vol.II, p.458)

Miguel de Cervantes Saavedra
D. Quixote de la Mancha (1615)
(trad. Aquilino Ribeiro)


"- E que ganhaste no governo?
- Ganhei haver conhecido que não sou bom para governar mais que um rebanho de gado e que as riquezas que se ganham nos tais governos, é à custa de perder o sono, a tranquilidade e passar mesmo a sua larota. Não sei se sabes que os governadores das ilhas devem comer pouco, especialmente se têm médicos que olhem pela sua saúde."

2015-06-07

A Vida e Opiniões de Tristram Shandy (p.433)

Laurence Sterne
The Life and Opinions of Tristram Shandy, Gent. (1759-1761)
(trad. Manuel Portela)


"Ora o capítulo que me vi obrigado a arrancar era a descrição desta cavalgada, (...)
--Mas o retrato desta jornada, quando o examinei de novo, pareceu-me tão superior ao estilo e à maneira de qualquer outra coisa que eu tenha conseguido pintar neste livro, que não podia ter sido nele incluído sem rebaixar todas as outras cenas; destruindo assim o necessário contrapeso e equilibrio (seja ele bom ou mau) entre capítulo e capítulo, do qual resulta a justa proporção e harmonia do conjunto da obra. Quanto a mim ainda agora entrei no negócio e pouco sei do assunto--mas, em minha opinião, escrever um livro é como para toda a gente cantarolar uma canção--desde que estejais afinada convosco, Minha Senhora, pouco importa até onde subis ou desceis."

2014-07-16

As Intermitências da Morte (p.117)

José Saramago
As Intermitências da Morte (2005)

"(...) isso ainda se perdoaria, ainda poderia ser tomado como defeito menor à vista da sintaxe caótica, da ausência de pontos finais, do não uso de parêntesis absolutamente necessários, da eliminação obsessiva dos parágrafos, da virgulação aos saltinhos e, pecado sem perdão, da intencional e quase diabólica abolição da letra maiúscula, que, imagine-se, chega a ser omitida na própria assinatura da carta e substituída pela minúscula correspondente. Uma vergonha, uma provocação, continuava o gramático (...)"