| Séneca De brevitate vitae (49) (trad. Romão Cunha) De Tranquillitate Animi (60)
[Sobre a Tranquilidade da Alma]
"(...) A verdadeira medida da riqueza é libertarmo-nos da miséria sem nos afastarmos demasiado da pobreza. Além disso, estaremos satisfeitos com este limite se praticarmos a moderação, sem a qual nenhuma quantidade de riqueza é suficiente, já que a modéstia também pode levar ao desperdício; especialmente porque a economia é um recurso que está ao nosso alcance: pode até, com a ajuda da frugalidade, converter a pobreza em riqueza. Habituemo-nos a abolir a ostentação, procuremos usar e não exibir. (...)" |
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2025-09-04
Sobre a Brevidade da Vida (p. 90)
2015-10-09
D. Quixote de la Mancha (vol.II, p.458)
| Miguel de Cervantes Saavedra D. Quixote de la Mancha (1615) (trad. Aquilino Ribeiro)
"- E que ganhaste no governo?
- Ganhei haver conhecido que não sou bom para governar mais que um rebanho de gado e que as riquezas que se ganham nos tais governos, é à custa de perder o sono, a tranquilidade e passar mesmo a sua larota. Não sei se sabes que os governadores das ilhas devem comer pouco, especialmente se têm médicos que olhem pela sua saúde." |
2015-09-28
D. Quixote de la Mancha (vol.II, p.351)
| Miguel de Cervantes Saavedra D. Quixote de la Mancha (1615) (trad. Aquilino Ribeiro)
"(...) hás-de pôr os olhos em quem és, procurando conhecer-te a ti mesmo, que é o conhecimento mais difícil que pode conceber-se. Conhecendo-te, resultará não inchares como a rã que se quis igualar ao boi. (...)
(...) (...) os que não são de origem ilustre devem aliar a gravidade do cargo que exercem um trato afável e prudente, que é a maneira de quebrar a dentuça à maledicência. »Não te envergonhes da humildade da tua linhagem, filho de campónios como és. Vendo que te não vexas neste particular, ninguém cuidará em vexar-te. Preza-te mais de seres homem de bem na humildade do que corrupto na soberba. (...) (...) O sangue herda-se, a virtude adquire-se, e a virtude vale por si só o que o sangue não vale." |
2015-07-13
D. Quixote de la Mancha (vol.I, p.19)
| Miguel de Cervantes Saavedra D. Quixote de la Mancha (1605) (trad. Aquilino Ribeiro)
"(...) Podes crer, mesmo sem juras, que o meu ardente desejo era que este livro, produto do entendimento, fosse o mais formoso, mais galhardo e mais discreto que imaginar-se pode. Não estava porém na minha mão infringir a ordem da natureza, segundo a qual uma coisa não gera outra senão que lhe seja semelhante. Que podia, portanto, conceber o meu estéril e mal-aparelhado engenho que não fosse a história de um génio seco, encornilhado, ougadiço, e imbuído de ideias fantásticas, jamais sonhadas, enfim tal como podia ser forjado numa cadeia onde toda a incomodidade tem assento e todo o rumor sinistro faz habitação? O lugar aprazível, o sossego rural, os céus serenos, o murmúrio das fontes e a quietude de alma contribuem por muito para que as musas mais áridas se mostrem fecundas e dêem à luz obra que encha de maravilha e jucundidade."
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