| Haruki Murakami The Wind-Up Bird Chronicle (ねじまき鳥クロニクル Nejimakitori Kuronikuru) (1994) (trad. Maria João Lourenço)
"Kumiko e eu simpatizámos um com o outro desde o início. Não foi uma daquelas paixões intensas e irresistíveis, como uma descarga eléctrica que alguns experimentam na pele no primeiro encontro, mas sim um sentimento muito mais terno e doce. Como duas luzinhas que, avançando lado a lado num imenso espaço escuro, se aproximam imperceptivelmente uma da outra. À medida que aumentava o número dos nossos encontros, experimentei uma sensação estranha: mais do que ter conhecido uma pessoa nova, tinha o sentimento de haver reencontrado um velho e querido amigo."
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2017-03-19
Crónica do Pássaro de Corda (p.239)
2017-03-18
Os Mistérios de Miss Fisher: Ruddy Gore
| David Caesar Miss Fisher's Murder Mysteries | Season 1 | Episode 6 - Ruddy Gore (2012)
Ando a ver a série australiana Os Mistérios de Miss Fisher, e por estes dias vi o sexto episódio da primeira temporada, "A Maldição da Bruxa", do qual retive estas duas passagens, a segunda uma citação de Shakespeare, da peça António e Cleópatra:
Lin Chung: A família Hu comercializa muitas coisas. Assim que for eu a mandar, decidirei o que se vai importar. Phryne Fisher: É assim tão simples? Lin Chung: Há um provérbio chinês: "O junco que se verga com a brisa não se quebra." Phryne Fisher: E esse junco acabará por se erguer. Lin Chung: É uma idealista, Miss Phryne Fisher, embora o esconda. Phryne Fisher: Culpada. Detective John 'Jack' Robinson: Gosto mais de Shakespeare. Phryne Fisher: O palco é todo seu. Detective John 'Jack' Robinson: "O tempo não a murcha. Nem o hábito torna entediante a sua variedade infinita. As outras mulheres empanturram os apetites que alimentam, mas ela mais fome desperta quanto mais alimenta." Phryne Fisher: Talvez uma carreira nos palcos seja o seu destino, Inspector. Detective John 'Jack' Robinson: Acho que me fico pelo crime. |
2015-11-17
O Jogador (p.15)
| Fédor Dostoievski I Grok (1866) (trad. Maria Georgina Segurado)
"Polina soltou uma gargalhada.
- Da última vez, no Schlagenberg, afirmou ser capaz de se lançar do precipício a uma palavra minha, e devia ser uma queda de quase 300 m. Um dia, direi essa palavra unicamente para o ver pagar, e pode ter a certeza de que não me compadecerei. Odeio-o precisamente porque lhe fiz tantas concessões e mais ainda porque preciso imenso de si: devo estimá-lo." |
2015-08-12
D. Quixote de la Mancha (vol.I, p.413)
| Miguel de Cervantes Saavedra D. Quixote de la Mancha (1605) (trad. Aquilino Ribeiro)
"(...) O senhor quis que eu fosse sua e qui-lo de maneira que, embora agora apeteça o contrário, já não é possível que deixe de ser meu. Repare, meu senhor, que o apego que lhe tenho pode compensar a lindeza e a fidalguia pelas quais quer deixar-me. Repare que já não pode ser da formosa Lucinda, porque é meu, nem ela pode ser sua, porque é de Cardénio. E mais fácil lhe será - se não, pense bem - obrigar a sua vontade a amar a quem o ama, do que encaminhar a que o queira a mulher que o detesta. (...)"
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2015-07-23
D. Quixote de la Mancha (vol.I, p.138-139)
| Miguel de Cervantes Saavedra D. Quixote de la Mancha (1605) (trad. Aquilino Ribeiro)
"(...) Fez-me o Céu, ao que vós dizeis, formosa, de sorte que não está em vosso poder resistir aos meus encantos. Pretendeis ainda que, em paga do amor que me mostrais, eu esteja obrigada a corresponder-vos com amor igual. Dou conta, com o pouco entendimento que Deus me deu, que tudo o que é belo é amável. O que não compreendo é que, pelo facto de ser amado, o que de facto é amado em virtude da sua beleza seja obrigado a amar quem o ama. Tanto mais que pode muito bem acontecer que seja disforme o enamorado em tais condições. Ora, sendo disforme motivo de enjoo, não fazia sentido dizer: gosto de ti porque és bonita, tu tens de corresponder-me inda que eu seja horrendo. Admitindo que se trate de pessoas dotadas de dotes físicos iguais, tão-pouco é razão para que os sentimentos se correspondam, visto que nem todas as formosuras cativam, havendo algumas que deleitam os olhos sem tocarem o coração. E bem é que assim seja. Se todas as formosuras despertassem paixões e escravizassem, que confusão e desgarramento dos corações não iria pelo mundo, sem saber em quem fixar-se, pois que, sendo as belezas em número infinito, os desejos que inspiram seriam também infinitos. E não ouço dizer que o amor verdadeiro é indivisível, tem por sua natureza que ser voluntário e de modo algum forçado?! Se assim é, como tudo leva a crer, porque queríeis vós que o meu coração se rendesse à viva força e somente porque me declarastes que me quereis bem? Senão dizei-me: assim como o Céu me fez bonita, se me fizesse feia, seria justo que me queixasse de vós porque vos não apaixonáveis por mim? (...)"
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Temas:
1605,
amor,
atracção,
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Livro,
Miguel de Cervantes
2015-04-22
A Vida e Opiniões de Tristram Shandy (p.112)
| Laurence Sterne The Life and Opinions of Tristram Shandy, Gent. (1759-1761) (trad. Manuel Portela)
"(...)--Amiga!--Minha amiga.--Sem dúvida, Minha Senhora, que uma amizade entre os dois sexos pode perdurar, e ser mantida sem----Ora! Senhor Shandy:----Sem mais nada, Minha Senhora, a não ser aquele terno e doce sentimento que sempre se mistura com a amizade, quando há uma diferença de sexo. Deixai-me pedir-vos que estudeis as partes puras e sentimentais dos melhores Romances franceses;--Minha Senhora há-de realmente surpreender-vos com que variedade de castas expressões este doce sentimento, de que tenho a honra de estar a falar, ali aparece revestido."
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2014-11-01
Palmeiras Bravas | Rio Velho (p.210)
| William Faulkner Wild Palms * The Old Man (1939) (trad. Jorge de Sena e Ana Maria Chaves)
"(...) os dois, entre os quais algo como amor teria existido outrora, ou que pelo menos haviam conhecido juntos a atracção física com que só a carne é capaz de apreender o pouco que jamais saberá do amor. (...)"
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2014-08-15
A Montanha Mágica (p.221)
| Thomas Mann Der Zauberberg (1924) (trad. Herbert Caro)
"(...) Hans Castorp, de olhos arregalados, reconheceu-a, e sentiu perfeitamente que o sangue lhe fugia do rosto e o maxilar inferior se lhe afrouxava, a ponto de forçá-lo a abrir a boca. A entrada de Clawdia efectuara-se de um modo inopinado, e de improviso: de repente ela partilhava com os primos aquele exíguo recinto, onde, um segundo antes, ainda não estava. (...) Depois de empalidecer, corou violentamente, e os seu coração batia." |
2014-08-10
A Montanha Mágica (p.142)
| Thomas Mann Der Zauberberg (1924) (trad. Herbert Caro)
"Essa criatura ridícula compreendera que, graças à sensibilidade de Hans Castorp relativa a portas fechadas com estrondo, se originara uma certa relação afectiva entre o seu jovem companheiro de mesa e a Russa, e sabia, além disso, que pouco importava o carácter de tal relação, contanto que ela existisse, e que a indiferença fingida de Hans Castorp - bastante mal fingida por falta de prática e de talento - não significava um enfraquecimento, senão um reforço dos laços, uma fase mais avançada dessa relação. (...)" |
2014-08-06
A Montanha Mágica (p.98)
| Thomas Mann Der Zauberberg (1924) (trad. Herbert Caro)
"(...) beijou essa mão pouco cuidada, um tanto larga, de dedos curtos, com a pele áspera nas bordas das unhas. De novo o percorreu, dos pés à cabeça, aquela sensação de doçura selvagem que se apossara dele, quando, a título de experiência, se sentira livre da pressão da honra e desfrutara as ilimitadas vantagens da vergonha; foi essa a sensação que tornou a experimentar no seu sonho, mas com uma intensidade infinitamente maior." |
2014-06-17
Kim (p.149)
| Rudyard Kipling Kim (1901) (trad. Monteiro Lobato)
"(...) O meu coração irrita-se um pouco, Amiguinho, por vê-lo dar tanta importância a um homem sem importância nenhuma. - O meu coração sente-se arrastado para ele, Hajji. - E o dele para você, eu sei. Os corações são como os cavalos. Vão e vêm contra freio e espora. (...)" |
2014-06-05
Kim (p.18)
| Rudyard Kipling Kim (1901) (trad. Monteiro Lobato)
"Kim seguia-o como uma sombra. O que tinha apanhado da conversa bulia estranhamente com ele. Aquele velho representava uma novidade, era preciso conhecê-lo mais a fundo. Tinha o imprevisto de uma construção nova ou de uma festa rara em Lahore. Um verdadeiro achado para um neto de irlandeses." |
2014-05-29
A Misteriosa Chama da Rainha Loana (p.270)
| Umberto Eco La Misteriosa Flamma Della Regina Loana (2004) (trad. Simonetta Neto)
"(...) Tinhas sido gentil e ela agradecia-te. Já te disse, elas já eram mulheres, a nós nem nos ligavam.
- Mesmo eu tendo sido o herói do espectáculo no liceu? - Pois é, achas que as mulheres se apaixonam pelo Jerry Lewis? Achavam-te um bom actor, mais nada." |
2014-05-25
A Misteriosa Chama da Rainha Loana (p.232)
| Umberto Eco La Misteriosa Flamma Della Regina Loana (2004) (trad. Simonetta Neto)
"(...) Devia certamente ter formado, através das muitas imagens que me tinham enlevado, uma figura ideal: se pudesse ter à minha frente todos os rostos das mulheres que amara, poderia tirar deles um perfil arquetípico, uma Ideia nunca alcançada mas perseguida ao longo de toda a vida. (...)"
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2014-05-17
A Misteriosa Chama da Rainha Loana (p.197)
| Umberto Eco La Misteriosa Flamma Della Regina Loana (2004) (trad. Simonetta Neto)
"(...) Certamente uma mulher inteligente (talvez a adorássemos, pois ao ler aquelas mensagens a vermelho eu sentia que devia ser jovem e bonita e, só Deus sabe porquê, que gostava de junquilhos), que procurava levar-nos a sermos sinceros e originais."
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2014-04-20
Calvin & Hobbes (p.26)
Bill Watterson
Calvin and Hobbes (1987)
(trad. Helena Gubernatis)
Calvin and Hobbes (1987)
(trad. Helena Gubernatis)
Do gosto dos beijos...
... e dos mistérios da atracção!
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