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2016-06-08

O Velho e o Mar (p.106)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"- Procuraram-me?
- Claro que sim. Os guarda-costas e os aviões.
- O oceano é muito grande e o esquife é pequeno e difícil de ver - comentou o velho. E notou como era agradável ter com quem falar, em vez de falar só consigo e com o mar. - Senti a tua falta - disse. - Que apanhaste?
- No primeiro dia, um. Outro no segundo, e dois no terceiro.
- Foi muito bom.
- Agora voltamos a pescar juntos.
- Não. Eu não tenho sorte. Já não torno a ter sorte.
- Para o diabo a sorte. Eu levo a sorte comigo.
- E que dirá a tua família?
- Quero lá saber! Pesquei ontem dois. Mas havemos de pescar juntos, que eu ainda tenho muito que aprender."

2016-06-07

O Velho e o Mar (p.98)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"- Lutar - respondeu. - Lutar até morrer.
Na treva, porém, sem clarão fulgindo, nem luzes, só com o vento e o firme impulso da vela, sentiu-se como se já estivesse morto. Juntou as mãos para sentir as palmas. Não estavam mortas, e era capaz de sentir a dor da vida, apenas com abri-las e fechá-las. Encostou as costas à popa, e reconheceu que não estava morto. Os ombros lho disseram."

2016-06-06

O Velho e o Mar (p.89)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"«É tolice não ter esperança», pensou. «Além de que suponho que é pecado. Não penses no pecado. Já sem ele há problemas de sobra. E do pecado não tenho entendimento.»
«Não tenho dele entendimento, e até me parece que não acredito nele. Talvez fosse pecado matar o peixe. Julgo que terá sido, embora o tenha morto para viver e dar de comer a muita gente. Mas então tudo é pecado. Não penses no pecado. É tarde de mais para isso, e há gente paga para pensar nele. Eles que pensem. Tu nasceste para pescador, como os peixes para serem pescados. S. Pedro era pescador, como o pai do grande DiMaggio.»"

2016-06-05

O Velho e o Mar (p.88)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"- Mas o homem não foi feito para a derrota - disse. - Um homem pode ser destruído, mas não derrotado. (...)"

2016-06-04

O Velho e o Mar (p.85)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"(...) Começou então a poder arrumar as ideias e pensou: «É ele quem me leva ou sou eu quem o leva a ele? Se eu o levasse a reboque, a questão não se punha. Nem se punha também, se o peixe viesse no barco, perdida a dignidade toda. Mas navegamos juntos, lado a lado.» E o velho pensou: «Pois que seja ele a levar-me, se isso lhe dá gosto. Eu só pela manha valho mais do que ele, que me não queria mal.»"

2016-06-03

O Velho e o Mar (p.79)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"«Tu estás a matar-me, peixe», pensou o velho. «Mas tens todo o direito. Nunca vi uma coisa maior, ou mais bela, ou mais serena ou mais nobre do que tu, meu irmão. Vem e mata-me. Não quero saber qual de nós mata.»
«Agora estás tu a perder a cabeça», pensou. «E não deves perder a cabeça. Não a percas, e aprende a sofrer como um homem. Ou como um peixe.»"

2016-06-02

O Velho e o Mar (p.76)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"«Tenho de manter-lhe a dor no grau em que está», pensou. «A minha não importa. A minha, domino eu. Mas a dele pode enlouquecê-lo.»"

2016-06-01

O Velho e o Mar (p.72)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"Quando lhe pareceu que a mão direita estivera tempo suficiente na água, retirou-a e olhou para ela.
- Não está mal. E a dor não abate um homem."

2016-05-31

O Velho e o Mar (p.67)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"(...) Ele ainda é peixe, e vi-lhe o anzol no canto da boca, e ele tem andado de boca bem fechada. O castigo do anzol não é nada. Mas o da fome, e o sentir-se contra o que não entende, isso é tudo. Repousa, meu velhote, deixa-o trabalhar até que chegue a tua vez.»"

2016-05-30

O Velho e o Mar (p.58)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"«Embora seja injusto», pensou. «Mas hei-de mostrar-lhe do que um homem é capaz e o que pode aguentar.»
- Eu disse ao rapaz que era um velho estranho. Agora cumpre-me prová-lo.
O milhar de vezes em que o provara nada valia. Estava a prová-lo mais uma vez. De cada vez era a primeira, e, ao fazê-lo, nunca pensava no passado."

2016-05-29

O Velho e o Mar (p.57)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"«Porque terá ele saltado?», pensou o velho. «Saltou quase que para me mostrar como era grande. Seja como for, já sei. Quem me dera poder mostrar-lhe que homem eu sou. Mas era capaz de ver a mão dormente. É melhor ele julgar que sou mais homem do que sou, e assim serei. Quem me dera ser o peixe, com tudo o que ele tem, só contra a minha vontade e a minha inteligência.»"

2016-05-28

O Velho e o Mar (p.54-55)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"(...) Alongou os olhos pelo mar e notou como estava só. Mas distinguia os prismas na água profunda e sombria e a linha estendendo-se adiante e a estranha ondulação da calmaria. As nuvens amontoavam-se ante os alísios, e, olhando em frente, viu um bando de patos-bravos desenhando-se contra o céu, acima das águas, depois esborratando-se, desenhando-se outra vez, e reconheceu que o homem nunca está só no mar."

2016-05-27

O Velho e o Mar (p.45)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"Depois, em voz alta, disse:
- Quem me dera o rapaz! Para me ajudar e para ver isto.
«Ninguém devia estar só na velhice», pensou. «Mas é inevitável. (...)»"

2016-05-26

O Velho e o Mar (p.43)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"«Que hei-de fazer, se ele decide mergulhar, não sei. Que hei-de fazer, se vai para o fundo e morre, não sei. Mas hei-de fazer alguma coisa. Há uma data de coisas que eu posso fazer.»"

2016-05-25

O Velho e o Mar (p.41)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"Sentiu de novo o suave puxão, e ficou feliz.
- Tinha dado a sua volta. Há-de cair.
Sentir o puxão ligeiro era uma felicidade, e de repente sentiu algo incrivelmente pesado. Era o peso do peixe, e deu linha, linha, linha, recorrendo às duas pilhas de reserva. Enquanto ela descia, deslizando levemente entre os dedos do velho, ainda sentia o grande peso, embora a pressão do polegar e do dedo fosse quase imperceptível.
- Que peixe! Tem-na de esguelha na boca e vai-se com ela.
Há-de dar uma volta e engoli-la. Não dizia isto por saber que, se se diz uma coisa boa, pode ela não acontecer. (...)"

2016-05-24

O Velho e o Mar (p.37-38)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"Não se recordava já de quando começara a falar em voz alta, se andava só. Nos bons tempos, andando sozinho, cantava, e cantara às vezes de noite, quando ficava só, de quarto ao leme, nos veleiros ou na pesca da tartaruga. Provavelmente, principiara a falar sozinho em voz alta quando o rapaz deixara de o acompanhar. Mas não se lembrava. Quando ele e o rapaz pescavam juntos, em geral falavam só quando era necessário. Falavam de noite, ou quando iam levados pelo temporal, se havia mau tempo. Era considerado uma virtude não falar inutilmente no mar, e o velho sempre assim considerara e respeitava o uso. Mas agora pensava em voz alta muitas vezes, desde que não vinha com ele quem quer que pudesse aborrecer-se."

2016-05-23

O Velho e o Mar (p.32)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"«Mas», pensou, «eu aguento-as com precisão. O que já não tenho é sorte. Quem sabe? Talvez a tenha hoje. Cada dia é um novo dia. É preferível ter sorte. Mas eu prefiro ser exacto. Assim, quando a sorte vem, está-se pronto para ela.»"

2016-05-22

O Velho e o Mar (p.30)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"Sempre pensava no mar como la mar, que é o que o povo lhe chama em espanhol, quando o ama. Às vezes, aqueles que gostam do mar dizem mal dele, mas sempre o dizem como se ele fosse mulher. Alguns dos pescadores mais novos, os que usam bóias por flutuadores e têm barcos a motor, comprados quando os fígados de tubarão davam muito dinheiro, dizem, el mar, que é masculino. Falavam dele como de um antagonista, um lugar, até um inimigo. Mas o velho sempre pensava no mar como feminino, como algo que entrega ou recusa favores supremos, e, se tresvariava ou fazia maldades, era porque não podia deixar de as fazer. «A Lua influi no mar como as mulheres», pensava ele."

2016-05-21

O Velho e o Mar (p.17)

Ernest Hemingway
The Old Man and the Sea (1952)
(trad. Jorge de Sena)


"- Obrigado - disse o velho, Era demasiado simples, ele, para ficar-se a pensar ao atingir a humildade. Mas sabia que atingira e sabia que não era desgraça e não acarretava perda do amor-próprio autêntico."

2016-04-09

The Old Man and the Sea

Aleksandr Petrov
The Old Man and the Sea (1999)

Baseado na obra homónima de Ernest Hemingway, uma extraordinária animação que vi em tempos no programa Onda Curta da RTP2, premiada com o Óscar de melhor animação de curta metragem em 2000.











Editado em 2021.04.17: substituído o video ZMoIoiN5aSQ pelo NNCxNntn2yc