| Haruki Murakami The Wind-Up Bird Chronicle (ねじまき鳥クロニクル Nejimakitori Kuronikuru) (1994) (trad. Maria João Lourenço)
"(...) Nem sempre é fácil a uma pessoa saber o estado em que se encontra. Ninguém pode ver o rosto com os seus próprios olhos, por exemplo. Só podemos olhar a imagem que o espelho nos devolve. E a nossa experiência leva-nos a crer, de maneira empírica, que a imagem reflectida no espelho é real, mais nada."
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2017-03-25
Crónica do Pássaro de Corda (p.297-298)
2016-04-22
O Mundo de Sofia (p.277)
| Jostein Gaarder Sofies Verden (1995) (trad. Catarina Belo)
"(...) Mesmo quando o mar está calmo, isso não significa que nas profundezas não suceda alguma coisa, (...)"
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2016-02-10
O Deus das Moscas (p.62)
| William Golding The Lord of Flies (1954) (trad. Luís de Sousa Rebelo)
"- Ninguém ajuda nada.
Queria explicar a razão por que as pessoas nunca eram aquilo que pareciam." |
2015-08-29
D. Quixote de la Mancha (vol.II, p.53)
| Miguel de Cervantes Saavedra D. Quixote de la Mancha (1605) (trad. Aquilino Ribeiro)
"(...) se virmos uma pessoa bem vestida, com trajos caros ou pomposos e grande aparato da criadagem, somos inclinados a prestar-lhe a nossa vénia, posto que alguma hora tenha caído em baixeza de que fomos testemunha e no momento se nos represente ao espírito. Essa baixeza, seja devida a penúria ou nódoa de família, passou, passou, ninguém mais a vê. O que se vê é isso que existe, está presente. Se para mais essa pessoa a quem a fortuna safou da cepa torta, com tal baixeza por contrapeso (...) é tida à altura da prosperidade por bem-criada, liberal e polida com o próximo e não tiver embófias de ombrear com aqueles que são nobres por antiguidade, fica certa, Teresa, que não haverá fabiano que se lembre ainda do que ela foi, antes será reverenciada no que é, não falando nos invejosos que dos colmilhos desses ninguém está livre."
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2015-02-13
A Obra ao Negro (p.57-58)
| Marguerite Yourcenar L'Oeuvre au Noir (1968) (trad. António Ramos Rosa, Luísa Neto Jorge e Manuel João Gomes)
"(...) A veneração que nutria pela companheira resistira à usura de uma vida quotidiana lado a lado. Voluntariamente, o ancião esquecia as imperfeições, as sombras, os defeitos visíveis, embora, à superfície da alma, para só reter, nos seres eleitos, aquilo que estes talvez fossem, no mais íntimo do seu ser, ou aquilo que aspiravam vir a ser. (...) Impressionado, desde o primeiro encontro, pelo olhar límpido de Hilzonda, nem sequer reparava no trejeito quase matreiro dos seus lábios tristes. Essa mulher magra e decrépita continuava a ser, para ele, um anjo entre os anjos."
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2014-12-06
O Jogo das Contas de Vidro (p.265)
| Hermann Hesse Das Glasperlenspiel (1943) (trad. Carlos Leite)
"(...) Assim, esta bela casa, na qual tudo respirava distinção, esplendor e harmonia, o marido dela, a política e o partido, a herança daquele pai que ela adorara outrora, nada disso era suficiente para dar à sua vida um sentido e um valor: havia só o seu filho. E ela preferia deixar esta criança crescer em condições tão más e prejudiciais como as que reinavam em sua casa e no seu casamento, em vez de se separar dele para o bem dele. Da parte duma mulher tão inteligente, intelectual, e que parecia de espírito tão frio, isso era uma confissão espantosa. (...)"
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2014-12-05
O Jogo das Contas de Vidro (p.264)
| Hermann Hesse Das Glasperlenspiel (1943) (trad. Carlos Leite)
"(...) A sua casa era bela, respirava riqueza e sibaritismo; o mobiliário de cada sala era função das dimensões desta, em cada uma reinava uma agradável harmonia em duas ou três cores, pontuada aqui e ali por uma obra de arte valiosa. Knecht deixou errar o seu olhar com satisfação, mas esse prazer dos olhos pareceu-lhe, no fim, um nada belo de mais, perfeito de mais, bem calculado de mais; faltava ali um devir, uma história, uma renovação, e sentia que a própria beleza das salas e dos objectos revestia o sentido dum exorcismo, dum gesto de defesa, e que aquelas salas, aqueles quadros, aqueles vasos e aquelas flores enquadravam e acompanhavam uma vida que aspirava à harmonia e à beleza, sem precisamente conseguir lá chegar a não ser através do cuidado com a decoração."
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