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2015-05-10

A Vida e Opiniões de Tristram Shandy (p.213)

Laurence Sterne
The Life and Opinions of Tristram Shandy, Gent. (1759-1761)
(trad. Manuel Portela)


" "Assim a consciência, em tempos essa vigilante fiel,----colocada no alto como se fosse um juiz dentro de nós, e projectada pelo criador como sendo justo e equitativo,--por um infeliz curso de causas e impedimentos, tem as mais das vezes um conhecimento tão imperfeito do que acontece,--e exerce o seu cargo com tanta negligência,----às vezes com tanta corrupção,--que nela sozinha não podemos confiar; e por isso achamos que há necessidade, uma necessidade absoluta, de lhe juntar outro princípio para ajudá-la, se não mesmo governá-la, nas suas decisões.
"De maneira que se quereis formar um juízo justo acerca daquilo em que é para vós de importância extrema não serdes enganados,--isto é, qual o verdadeiro grau de mérito de que gozais, quer como homem honesto, cidadão útil e súbdito fiel do vosso rei, quer como bom servo de Deus,----pedi auxilío à religião e à moralidade,--(...)" "

2014-09-02

A Montanha Mágica (p.356)

Thomas Mann
Der Zauberberg (1924)
(trad. Herbert Caro)


"- La morale? Cela t'intéresse? Eh bien, il nous semble qu'il faudrait chercher la morale non dans la vertu, c'est-à-dire dans la raison, la discipline, les bonnes moeurs, l'honnêteté,- mais plutót dans le contraire, je veux dire: dans le péché, en s'abandonnant au danger, à ce qui est nuissible, à ce qui nous consume. Il nous semble qu'il est plus moral de se perdre et même de se laisser dépérir que de se conserver. Les grands moralistes n'etaient point des vertueux, mais des aventuriers dans le mal, des vicieux, des grands pécheurs qui nous enseignent à nous incliner chrétiennement devant la misère. (...) (3)

(3) Da moral? Isso interessa-te? Bem, parece-nos que seria necessário procurar a moral não na virtude, quer dizer, na razão, na disciplina, nos bons costumes, na honestidade - mas antes no contrário, quero dizer no pecado, na entrega ao perigo, ao que é prejudicial, ao que nos consome. Parece-nos que é mais moral perder-se ou até deixar-se perecer do que conservar-se. Os grandes moralistas não eram, de modo algum, virtuosos, mas aventureiros no mal, viciosos, grandes pecadores que nos ensinam a inclinarmo-nos cristãmente diante da miséria. (...)"