| Pablo Neruda Residencia en la Tierra (1933) e Los Versos del Capitán (1952) (trad. Nuno Júdice)
SE ME ESQUECERES
Quero que saibas
uma coisa. Sabes como é: se olho a lua de cristal, o ramo vermelho do lento outono à minha janela, se toco junto do lume a impalpável cinza ou o enrugado corpo da lenha, tudo me leva para ti, como se tudo o que existe, aromas, luz, metais, fossem pequenos barcos que navegam até às tuas ilhas que me esperam. Mas agora, se pouco a pouco me deixas de amar deixarei de te amar pouco a pouco. Se de súbito me esqueceres não me procures, porque já te terei esquecido. Se julgas que é vasto e louco o vento de bandeiras que passa pela minha vida e te resolves a deixar-me na margem do coração em que tenho raízes, pensa que nesse dia, a essa hora levantarei os braços e as minhas raízes sairão em busca de outra terra. Porém se todos os dias, a toda a hora, te sentes destinada a mim com doçura implacável, se todos os dias uma flor te sobe aos lábios à minha procura, ai meu amor, ai minha amada, em mim todo esse fogo se repete, em mim nada se apaga nem se esquece, o meu amor alimenta-se do teu amor, e enquanto viveres estará nos teus braços sem sair dos meus. |
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2023-05-13
Poemas de Amor (p. 47-49)
2023-05-12
Poemas de Amor (p. 41)
| Pablo Neruda Residencia en la Tierra (1933) e Los Versos del Capitán (1952) (trad. Nuno Júdice)
SEMPRE
A contrario de ti
não tenho ciúmes. Vem com um homem às costas, vem com cem homens nos teus cabelos, vem com mil homens entre os seios e os pés, vem como um rio cheio de afogados que encontra o mar furioso, a espuma eterna, o tempo. Trá-los a todos até onde te espero: estaremos sempre sozinhos, estaremos sempre tu e eu sozinhos na terra para começar a vida. |
2023-05-11
Poemas de Amor (p. 21-23)
| Pablo Neruda Residencia en la Tierra (1933) e Los Versos del Capitán (1952) (trad. Nuno Júdice)
O TEU RISO
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não me tires o teu riso. Não me tires a rosa, a flor de espiga que desfias, a água que de súbito jorra na tua alegria, a repentina onda de prata que em ti nasce. A minha luta é dura e regresso por vezes com os olhos cansados de terem visto a terra que não muda, mas quando o teu riso entra sobe ao céu à minha procura e abre-me todas as portas da vida. Meu amor, na hora mais obscura desfia o teu riso, e se de súbito vires que o meu sangue mancha as pedras da rua, ri, porque o teu riso será para as minha mãos como uma espada fresca. Perto do mar no outono, o teu riso deve erguer a sua cascata de espuma, e na primavera, amor, quero o teu riso como a flor que eu esperava, a flor azul, a rosa da minha pátria sonora. Ri-te da noite, do dia, da lua, ri-te das ruas curvas da ilha, ri-te deste rapaz desajeitado que te ama, mas quando abro os olhos e os fecho, quando os meus passos se forem, quando os meus passos voltarem, nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas o teu riso nunca porque sem ele morreria. |
2022-11-27
Amesterdão
| David O. Russell Amsterdam (2022)
A lot of this actually happened.
Uma boa surpresa. Passado nos anos 30 do século XX, uma época que só por si já me atrai, conta a história de três amigos (dois soldados e uma enfermeira) que no rescaldo da I Guerra Mundial fazem um pacto de entreajuda. Anos mais tarde, incriminados de um crime a que assistiram, vão fazer valer o pacto, para descobrirem uma conspiração que vai muito além daquilo que esperavam. Inspirado na Business Plot, uma conspiração de ricos empresários americanos que em 1933 pretendia derrubar o Presidente Franklin D. Roosevelt e substituí-lo por um regime fascista liderado pelo Major General Smedley Butler, que não pactuou com ela. Irma St. Clair: It's fine. True love is based on choice, not need. Do you need your wife, or do you choose your wife? Burt Berendsen: Well, can't it be both? Irma St. Clair: No. The second one is the one that truly matters. At the end of the day, it is. Choice matters over need. Burt Berendsen: I don't like to be alone. Irma St. Clair: That sounds like need. Burt Berendsen: Love is not enough. You got to fight to protect kindness. You get attached to people and things. And they might just break your heart. But that's being alive. |
2017-06-09
Mulher Maravilha
| Patty Jenkins Wonder Woman (2017)
A pedido da mais velha lá fui ver a Mulher Maravilha. E ela gostou bastante mais que eu...
O filme conta a origem da super-heroína, que eu desconhecia, e o seu primeiro embate com o mundo que pretende salvar. Efeitos especiais à altura a suportar uma história sem grandes surpresas. Diana Prince: Não se trata de merecimento. Diana Prince: É sobre aquilo em que acreditamos. Diana Prince: E eu acredito no Amor. Diana Prince: Só o Amor pode realmente salvar o Mundo. |
2017-03-24
Crónica do Pássaro de Corda (p.294)
| Haruki Murakami The Wind-Up Bird Chronicle (ねじまき鳥クロニクル Nejimakitori Kuronikuru) (1994) (trad. Maria João Lourenço)
"Quanto mais pensava na possibilidade de a minha relação com Kumiko ser algo que pertencia definitivamente ao passado, mais saudades sentia do doce calor do seu corpo a que em tempos chamara meu. Gostava de fazer amor com ela. Já gostava antes de nos casarmos, como não podia deixar de ser, mas, com o passar dos anos, quando a paixão inicial se dissipara, continuei sempre a ter desejo de ir para a cama com ela. Recordava com espantosa nitidez o toque das suas costas elegantes, da sua nuca, das suas pernas, dos seus seios - recordava cada uma das coisas que durante o acto sexual havia feito com ela e que ela me havia feito a mim."
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2017-03-19
A Bela e o Monstro
| Bill Condon Beauty and the Beast (2017)
Fui com a minha mais pequena ver a estreia da adaptação a "imagem real" do filme de animação com o mesmo título, não por este motivo propriamente, nem pela história (que a mais velha diz tratar-se do típico síndrome de Estocolmo...) mas sim por a Bela ser interpretada pela Emma Watson, Hermione noutros filmes que a mais pequena adora por estes tempos...
Aqui ficam os trailers da versão que fui ver e da que preferia ter visto... Monstro: És feliz aqui, Bela? Bela: Como posso ser feliz se não sou livre? |
| Gary Trousdale e Kirk Wise Beauty and the Beast (1991)
Com o balanço da ida ao cinema ver a estreia do novo filme, fizemos uma sessão em casa com o DVD do desenho animado original.
Claro que vimos em português, mas fica também a versão original. Relógio: Eh eh eh, Vossa Alteza, devo dizer que está tudo a correr sobre rodas. Eu sabia que conseguia. Monstro: Eu libertei-a. Relógio: Sim, sim, esplên... O quê? Relógio: O que é que fez? Monstro: Teve de ser. Relógio: Sim, mas... mas... mas, porquê? Monstro: Porque eu amo-a. |
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2016-10-30
Crónica do Pássaro de Corda (p.151)
| Haruki Murakami The Wind-Up Bird Chronicle (ねじまき鳥クロニクル Nejimakitori Kuronikuru) (1994) (trad. Maria João Lourenço)
"(...) Que imensidão! Mais que um deserto, parecia um oceano. O Sol erguia-se a leste no horizonte e atravessava lentamente o céu antes de mergulhar a oeste, por detrás da linha do horizonte. Diante dos nossos olhos, era a única coisa que mudava. E aquilo que eu sentia perante aquele movimento solar quase se poderia definir como um imenso amor cósmico."
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2016-07-23
Elogio da Loucura (p.143)
| Erasmo de Roterdão Stultitiae Laus (1509-1511) (trad. Álvaro Ribeiro)
[LXVII]
"(...) Imaginai que Platão teve um sonho parecido quando escreveu que o furor dos amantes é a felicidade perfeita. Com efeito, quem ama evidentemente já não vive em si, mas no que ama! quanto mais se afasta de si, quanto mais emigra para o objecto, tanto mais se alegra. Assim, quando a alma medita em fugir do corpo, e renuncia a servir-se normalmente dos seus órgãos, podeis dizer sem dúvida que isso é uma fúria. Nem outra coisa querem dizer as expressões do vulgo: «Não está em si. Volta a ti. Voltou a si». E quanto mais perfeito é o amor, maior é o furor, e mais feliz." |
2016-06-08
2016-06-06
Ser amado com amor
| Miguel Esteves Cardoso crónica publicada no Público, de 6 de Junho (2016)
"Amar é achar que tivemos sorte e que não merecemos sermos amados por quem amamos.
Amar é perceber, pensar ou descobrir que toda a nossa satisfação, alegria e paz dependem do parecer amoroso — ou não — de uma única pessoa, que amamos quanto vivemos e faz de cada um de nós quem é. Ser amada ou amado é quase sempre independente de cada uma das nossas vontades. Amar é achar que tivemos sorte e que não merecemos sermos amados por quem amamos. O amor não é um ponto de contacto. É uma discrepância que se anuncia. É uma barreira contra o entendimento. Amar é coisa de uma só pessoa. Há pessoas que precisam de ser amadas que são incapazes de serem amadas. Mas também há pessoas que facilmente se amam (e que se deixam ou não amar) mas que são incapazes de amar. O amor é uma condição. Não é uma escolha. É o contrário de um destino. É um destino multiplicado por mil. Confunde-se com a nossa natureza. Confunde-se com a nossa existência. Confunde-nos e vence-nos porque amar, mesmo com um mínimo gigantesco de amor, facilmente se torna na maior — e mais linda — das nossas mais sinceras e menos ditadoras obrigações. Amar é prescindir de quem somos, na esperança estupidamente optimista que o pouco que nos resta, depois de tão desnecessário e cruel exercício, seja, talvez atraente, conforme uma avaliação sado-masoquista que, de modo nenhum, corresponde à realidade. Amar é pertencer a quem se ama, pelo amor que se tem a essa pessoa. Querer ser amado, tal como ser amado, pertence ao mundo do que não só não se sonha — como não existe. Mas existe." |
2016-01-28
Os Passos em Volta (p.137)
| Herberto Hélder Os Passos em Volta (1963)
[O QUARTO]
"(...) O homem é estúpido. E precisa que o amem, precisa amar. (...)" |
2016-01-08
Os Passos em Volta (p.16)
| Herberto Hélder Os Passos em Volta (1963)
[HOLANDA]
"Muito lentamente, o seu amor desenvolveu-se. Era um amor que se aprendia a si próprio, cheio de medo e dúvida." |
2016-01-04
O Grande Gatsby (p.116)
| F. Scott Fitzgerald The Great Gatsby (1925) (trad. José Rodrigues Miguéis)
"O coração bateu-lhe mais e mais depressa, à medida que o rosto dela se aproximou do seu. Sabia que quando tivesse beijado esta rapariga, e para sempre consorciado as suas indizíveis visões ao imperecível hálito dela, a sua mente não voltaria a vaguear, como Deus, pelo infinito. Esperou, pois, mais um instante para tornar a ouvir o diapasão de prata que ressoara, batendo numa estrela. Então beijou-a. Quando os seus lábios a tocaram, ela abriu-se para ele como uma flor e a encarnação foi completa."
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2016-01-01
O Grande Gatsby (p.103-104)
| F. Scott Fitzgerald The Great Gatsby (1925) (trad. José Rodrigues Miguéis)
"(...) Quase cinco anos! Deve ter havido, nessa tarde, momentos em que a própria Daisy há-de ter ficado aquém do sonho - não por culpa dela, mas devido à colossal vitalidade da própria ilusão. Tudo a tinha ultrapassado, ultrapassado tudo. O Gatsby precipitara-se todo inteiro naquele sonho, com toda a sua paixão criadora, acrescentando-o hora a hora, ornando-o de todas as plumas e pedrarias de cor que de caminho lhe surgiam. Não há fogo nem refrigério, por grandes que sejam, que possam aceitar o repto de todos os fantasmas ocultos no coração do homem."
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2015-12-31
O Grande Gatsby (p.100)
| F. Scott Fitzgerald The Great Gatsby (1925) (trad. José Rodrigues Miguéis)
"Não tinha deixado de olhar a Daisy um só instante, e creio que reavaliou tudo o que tinha na casa de harmonia com a medida da reacção que leu nos bem-amados olhos dela. Por vezes, relanceava também o olhar esgazeado às suas inúmeras posses, como se, na presença real e assombrosa dela, tudo aquilo tivesse perdido a realidade. (...)"
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2015-12-26
Matéria Solar (p.72)
| Eugénio de Andrade Matéria Solar (1980)
46
"Olha, já nem sei de meus dedos roídos de desejo, tocava-te a camisa, desapertava um botão, adivinhava-te o peito cor de trigo, de pombo bravo, dizia eu, o verão quase no fim, o vento nos pinheiros, a chuva pressentia-se nos flancos, a noite, não tardaria a noite, eu amava o amor, essa lepra." |
2015-12-25
Matéria Solar (p.52)
| Eugénio de Andrade Matéria Solar (1980)
26
"Mas como fazer durar até ao último instante esta boca, este sol? É preciso amá-la, paciente e alta, onde a chama canta. Amá-la. Até ao fim. Até ser dança." |
2015-12-24
Matéria Solar (p.51)
| Eugénio de Andrade Matéria Solar (1980)
25
"Cala-te, a luz arde entre os lábios e o amor não contempla, sempre o amor procura, tacteia no escuro, esta perna é tua?, é teu este braço?, subo por ti de ramo em ramo, respiro rente à tua boca, abre-se a alma à língua, morreria agora se mo pedisses, dorme, nunca o amor foi fácil, nunca, também a terra morre." |
2015-12-22
Matéria Solar (p.44)
| Eugénio de Andrade Matéria Solar (1980)
18
"Eu amei esses lugares onde o sol secretamente se deixava acariciar. Onde passaram lábios, onde as mãos correram inocentes, o silêncio queima. Amei como quem rompe a pedra, ou se pedre na vagarosa floração do ar." |
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