| Miguel de Cervantes Saavedra D. Quixote de la Mancha (1605) (trad. Aquilino Ribeiro)
"(...) Mas sou teu amigo e a afeição que te consagro não me consente que te abandone, exposto ao manifesto risco de perder-te. E, para que bem o compreendas, quero que me respondas, Anselmo: não me disseste que tenho de requestar a uma senhora recatada? induzir a uma honesta? subornar a uma desinteresseira? propor-me a uma prudente? Disseste, sim. Pois se tu sabes que tens mulher recatada, honesta, simples, prudente, que mais queres? E se pensas que há-de sair vencedora como sem dúvida há-de sair, que melhores títulos contas tu dar-lhe, que os que agora tem? Porventura ficará sendo ela mais do que o que já é? E uma de duas: ou tu não a tens pelo que dizes, ou tu não sabes o que pedes. Se a não tens pelo que dizes, para que te arriscas a experimentá-la? E neste caso, o que tens a fazer é conduzir-te com ela como merece.
Mas se é tão virtuosa e tão constante como crês, impertinentíssima coisa seria fazer experiência com a mesma evidência, pois uma vez feita, não ficaria ela mais estimada que dantes. E a conclusão a tirar é esta: empreender coisas de que é provável resultar antes dano que benefício é rematada loucura, mormente quando se faz de ânimo frívolo, sem que nada obrigue ou constranja." |
Mostrar mensagens com a etiqueta desconfiança. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta desconfiança. Mostrar todas as mensagens
2015-08-07
D. Quixote de la Mancha (vol.I, p.368)
2015-08-05
D. Quixote de la Mancha (vol.I, p.364)
| Miguel de Cervantes Saavedra D. Quixote de la Mancha (1605) (trad. Aquilino Ribeiro)
"(...) Dizia ele e dizia bem que o homem casado, quando tem a sorte de possuir mulher formosa, deve ter tanto cuidado em ver que espécie de amigos admite em sua casa como com que amigas sua mulher conversa. (...)"
|
2014-12-20
O Jogo das Contas de Vidro (p.374-375)
| Hermann Hesse Das Glasperlenspiel (1943) (trad. Carlos Leite)
"(...) que o homem gosta mais de suportar males e uma aparência de expiação de que emendar ou simplesmente examinar o seu ser íntimo, que acredita mais facilmente na magia do que na razão, em fórmulas do que na experiência, tudo coisas que durante os poucos milhares de anos que se seguiram, não mudaram certamente tanto como muitos livros de história afirmam. Mas tinha também aprendido que um homem de pensamento, um homem que procura alguma coisa, não tem direito a perder o amor, tem de enfrentar os desejos e as loucuras dos outros, sem orgulho, mas também sem o direito de se deixar dominar por eles, que há só um passo entre o homem de sabedoria e o charlatão, o sacerdote e o malabarista, entre o irmão digno de socorro e o oportunista parasita, e que no fundo as pessoas preferem infinitamente pagar a um vigarista, deixar-se explorar por um vendedor de banha da cobra do que aceitar sem dispêndio um socorro generosamente oferecido. Não gostavam de pagar em confiança e amor, preferiam que fosse em dinheiro e em géneros. Enganavam-se mutuamente e estavam à espera que os enganassem. Teve de aprender a considerar o ser humano como uma criatura fraca, egoísta e cobarde, e dar também conta que ele próprio partilhava de todos esses defeitos e esses maus instintos. E no entanto foi-lhe concedido alimentar a sua alma com a fé de que o homem é também espírito e amor, que tem qualquer coisa em si que se opõe aos instintos e aspira a enobrecê-los. (...)"
|
2014-10-18
Palmeiras Bravas | Rio velho (p.41)
| William Faulkner Wild Palms * The Old Man (1939) (trad. Jorge de Sena e Ana Maria Chaves)
"O outro hesitou por um instante; isto familiar também ao médico que já antes vira e supusera conhecer-lhe a origem: o inenarrável e inato instinto da humanidade para tentar esconder algo da verdade mesmo do médico ou do advogado, cujas perícia e saber estão pagando. (...)"
|
Subscrever:
Mensagens (Atom)



