| Carla Louro Entra-se na casa pelo pátio (2026) (rev. Sandra Mendes)
a nossa vida são papéis papéis com números
números de identificação todos diferentes a nossa vida são só números os números das horas os números das portas as portas do tempo o nosso tempo são papéis papéis com horas horas sem tempo como é que se chama o nosso nome como é que se chama só com letras procuro o meu nome e não o encontro mas sei de cor os números da minha vida sei todos os meus números de cor e lembro-me a nossa vida são só números papéis com números números em código com espaços entre eles a nossa vida são só códigos códigos com letras palavras com passe as palavras são chaves códigos em chave de acesso a nós dentro de um computador onde é que está a nossa vida onde é que está só connosco |
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2026-04-10
Entra-se na casa pelo pátio (p. 24-25)
2023-01-21
As Flores do Bem (p.115)
| Raphael Yudin As Flores do Bem (2022)
NÓS
Todo o Multiverso se encontra dentro de Nós. Desatarmos todos os nós até ao ponto central, o coração essencial aquele núcleo infinitesimal onde se revela a nossa verdadeira identidade, constitui a única ponte para a liberdade. |
2022-04-15
Fahrenheit 451 (p.27)
| Ray Bradbury Fahrenheit 451 (1953) (trad. Casimiro da Piedade)
"(...) Quantas pessoas conhecia ele que refletiam a nossa luz? Procurando por uma analogia, encontrou-a no seu trabalho: a maior parte das pessoas eram como tochas, ardendo até se apagarem. Que raro era que o rosto de alguém refletisse a nossa expressão e no-la mostrasse, expondo-nos aos nossos pensamentos mais profundos e vacilantes!
Que incrível poder de identificação aquela rapariga tinha. (...)" |
2017-03-29
Crónica do Pássaro de Corda (p.321)
| Haruki Murakami The Wind-Up Bird Chronicle (ねじまき鳥クロニクル Nejimakitori Kuronikuru) (1994) (trad. Maria João Lourenço)
"(...) A verdade é que um ser humano não consegue viver sem o seu verdadeiro eu. É como a terra que pisamos. Sem um terreno firme, não podemos construir nada em cima. (...)"
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2017-03-28
Crónica do Pássaro de Corda (p.320)
| Haruki Murakami The Wind-Up Bird Chronicle (ねじまき鳥クロニクル Nejimakitori Kuronikuru) (1994) (trad. Maria João Lourenço)
"«(...) Tudo que existira até então dentro de mim derramara-se, perdera-se para sempre. Eu era um novo ser, mas, ao mesmo tempo, esse novo eu estava vazio. Tinha de ser eu a preencher, pouco a pouco, esse vazio. Com as minhas próprias mãos, tive de reconstruir, passo a passo, aquilo a que chamava "eu" - ou, melhor dizendo, os elementos que me davam corpo.
«(...) Não havia nenhum livro que falasse da experiência por que eu passara. Mesmo assim, apesar de estar só, não me sentia infeliz. Podia agarrar-me à minha pessoa. Pelo menos, naquele momento tinha-me a mim." |
2017-03-22
Crónica do Pássaro de Corda (p.278)
| Haruki Murakami The Wind-Up Bird Chronicle (ねじまき鳥クロニクル Nejimakitori Kuronikuru) (1994) (trad. Maria João Lourenço)
"(...) Vendo bem, a pessoa que eu era, tinha sido fabricada algures, numa outra parte. E tudo vinha de outra parte e regressava a outra parte. Eu não sou mais do que um simples caminho por onde passa o homem que eu sou."
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2016-11-23
Crónica do Pássaro de Corda (p.197)
| Haruki Murakami The Wind-Up Bird Chronicle (ねじまき鳥クロニクル Nejimakitori Kuronikuru) (1994) (trad. Maria João Lourenço)
"Aos meus olhos a vizinhança parecia diferente dos outros dias. Como se as pessoas com quem me cruzava tivessem qualquer coisa de antinatural, para não dizer artificial. À medida que avançava, ia examinando os seus rostos, um a um. Perguntei a mim mesmo que género de pessoas poderiam ser. Em que tipo de casa viviam. Que tipo de família constituíam. Que tipo de vida levavam. Se tinham por hábito ir para a cama com outras mulheres, para além das deles, e elas com outros homens. Quem sabe se seriam felizes? Teriam consciência do aspecto antinatural, quase artificial, que em mim provocavam?"
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2016-07-30
Crónica do Pássaro de Corda (p.8)
| Haruki Murakami The Wind-Up Bird Chronicle (ねじまき鳥クロニクル Nejimakitori Kuronikuru) (1994) (trad. Maria João Lourenço)
"«Entender-nos»? Enquanto comia, dei por mim a pensar. Entendermos os sentimentos um do outro em dez minutos? O que quereria ela dizer com aquilo? Se calhar era apenas uma partida, Ou uma nova técnica de vendas. Em todo o caso, não era coisa que me dissesse respeito.
Quando acabei de comer, voltei a deitar-me no sofá da sala e a pegar no livro que tinha trazido da biblioteca, deitando volta e meia uma olhadela ao telefone. As palavras da mulher não me saíam da cabeça. O que poderiam duas pessoas ficar a saber uma acerca da outra em dez minutos? Agora que pensava nisso, ela parecia muito senhora de si: desde a primeira hora que fizera questão de indicar o tempo preciso. Como se nove minutos não chegassem e onze minutos fosse demasiado. Precisamente como o tempo de cozedura do esparguete." |
2016-07-08
Elogio da Loucura (p.102)
| Erasmo de Roterdão Stultitiae Laus (1509-1511) (trad. Álvaro Ribeiro)
[LIV]
"(...) Todos têm em mira singularizar o seu modo de vida. Não procuram a semelhança com Cristo, mas a diferença entre eles. A maior parte da felicidade deles está no cognome: uns gostam de se denominar Franciscanos, e nesses há os recoletos, menores, mínimos, bulistas. Há os beneditinos e os bernardinos; há os bridgenses e os augustinenses; há as guitelmitas e os jacobinos; tudo isso como se fosse pouco dizerem-se cristãos." |
2016-03-26
Identidade vs. Individualidade
| identidade i.den.ti.da.de - [idẽtiˈdad(ə)] nome feminino
1. qualidade de idêntico
2. paridade ou igualdade absoluta 3. conjunto de características (físicas e psicológicas) essenciais e distintivas de alguém, de um grupo social ou de alguma coisa 4. DIREITO conjunto de características (nome, sexo, impressões digitais, filiação, naturalidade, etc.) de um indivíduo consideradas para o seu reconhecimento 5. MATEMÁTICA igualdade (em álgebra) verificável para todos e quaisquer valores atribuídos às incógnitas princípio de identidade um dos princípios pressupostos na actividade racional do espírito: o que é é, o que não é não é, A é A, ou seja, todo o objecto é igual a si próprio individualidade in.di.vi.du.a.li.da.de - [ĩdividwɐliˈdad(ə)] nome feminino
1. conjunto das qualidades características e distintivas de cada indivíduo
2. pessoa considerada muito importante; personalidade
identidade in Dicionário da Língua Portuguesa sem Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2016-03-26 08:45:00]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa-aao/identidade
individualidade in Dicionário da Língua Portuguesa sem Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2016-03-26 08:45:00]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa-aao/individualidade |
2016-02-28
O Mundo de Sofia (p.11)
| Jostein Gaarder Sofies Verden (1995) (trad. Catarina Belo)
"Por vezes, achava-se tão estranha que se perguntava se não seria disforme de nascença. A sua mãe tinha-lhe falado num parto difícil. Mas seria possível o nascimento determinar, de facto, a figura de cada um?
Não era estranho que ela não soubesse quem era? Não era absurdo não poder decidir nada quanto à sua figura? Tinha simplesmente nascido consigo. Podia escolher os seus amigos, mas não se escolhera a si mesma. Nunca tinha decidido que queria ser um ser humano. O que era um ser humano?" |
2016-02-27
O Mundo de Sofia (p.10)
| Jostein Gaarder Sofies Verden (1995) (trad. Catarina Belo)
"Quem és tu?
Se ela soubesse! Era obviamente Sofia Amundsen, mas quem era Sofia Amundsen? Ainda não tinha descoberto totalmente. E se tivesse outro nome? Anne Knutsen, por exemplo. Seria então uma outra pessoa?" |
2015-11-01
D. Quixote de la Mancha (vol.II, p.616)
| Miguel de Cervantes Saavedra D. Quixote de la Mancha (1615) (trad. Aquilino Ribeiro)
"(...) «Para mim só é que nasceu D. Quixote, como eu nasci fadado para ele só. Ele soube obrar, eu escrever. Os dois fazemos um só, (...) Bastam, para meter em irrisão tantas quantas fizeram os cavaleiros andantes, as duas que levou a cabo com agrado e beneplácito das pessoas, que tiveram delas conhecimento, tanto nestes reinos como nos estranhos.»
«Com isto mostrar-te-ás fiel à tua profissão cristã, dando um bom conselho a quem te quer mal, e eu por mim ficarei satisfeito de ter sido o primeiro que gozou inteiramente o fruto dos próprios escritos, como ambicionava. Com efeito, não foi outro o meu intento senão tornar aborrecidas dos homens as falsas e absurdas histórias da Cavalaria, que vai manquejando mercê do meu verdadeiro D. Quixote e há-de acabar sem dúvida alguma por dar tombo.» VALE" |
2015-09-28
D. Quixote de la Mancha (vol.II, p.351)
| Miguel de Cervantes Saavedra D. Quixote de la Mancha (1615) (trad. Aquilino Ribeiro)
"(...) hás-de pôr os olhos em quem és, procurando conhecer-te a ti mesmo, que é o conhecimento mais difícil que pode conceber-se. Conhecendo-te, resultará não inchares como a rã que se quis igualar ao boi. (...)
(...) (...) os que não são de origem ilustre devem aliar a gravidade do cargo que exercem um trato afável e prudente, que é a maneira de quebrar a dentuça à maledicência. »Não te envergonhes da humildade da tua linhagem, filho de campónios como és. Vendo que te não vexas neste particular, ninguém cuidará em vexar-te. Preza-te mais de seres homem de bem na humildade do que corrupto na soberba. (...) (...) O sangue herda-se, a virtude adquire-se, e a virtude vale por si só o que o sangue não vale." |
2015-02-05
Um, Nenhum e Cem Mil (p.157)
| Luigi Pirandello Uno, Nessuno e Centomila (1926) (trad. Maria Jorge Vilar de Figueiredo)
"Nenhum nome. Nenhuma recordação, hoje, do nome de ontem; nenhuma recordação, amanhã, do nome de hoje. Se o nome é a coisa; se um nome é, dentro de nós, o conceito de tudo o que existe fora de nós; se sem nome não se possui o conceito e a coisa permanece em nós como que cega, não distinta e não definida; pois bem, o nome que eu usei entre os homens, que cada um o grave, como uma epígrafe funerária, na fronte da imagem com que lhes apareci, e a deixe em paz e não se fale mais nisso. Não passa disto, de uma epígrafe funerária, um nome. Fica bem aos mortos. A quem acabou. Eu estou vivo e não acabo. A vida não acaba. A vida não sabe nomes. Esta árvore, hálito trémulo de folhas novas. Eu sou esta árvore. Árvore, nuvem; amanhã, livro ou vento: o livro que leio, o vento que bebo. Fora de mim, vagabundo."
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2015-02-02
Um, Nenhum e Cem Mil (p.122)
| Luigi Pirandello Uno, Nessuno e Centomila (1926) (trad. Maria Jorge Vilar de Figueiredo)
"(...) Estava só. Estava só, no mundo inteiro. Só, para mim mesmo. E no instante preciso do arrepio que agora me fazia estremecer até à raiz dos cabelos, sentia a eternidade e o gelo dessa solidão infinita.
A quem dizer «eu»? O que queria dizer esse «eu», se para os outros tinha um sentido e um valor que não podiam ser os meus, e para mim, tão fora dos outros, assumir um sentido e um valor transformava-se, de súbito, no horror deste vazio e desta solidão?" |
2015-01-25
Um, Nenhum e Cem Mil (p.56)
| Luigi Pirandello Uno, Nessuno e Centomila (1926) (trad. Maria Jorge Vilar de Figueiredo)
"(...) A história da minha família na minha terra: nunca pensava nisso; mas essa história, para outros, estava em mim; eu era o último dessa família e tinha a sua marca em mim, no meu corpo, e sabe-se lá em quantos hábitos e modos de agir e de pensar em que nunca tinha reflectido, mas que outros reconheciam claramente em mim, na minha maneira de andar, de rir, de cumprimentar. Julgava-me um homem na vida, um homem qualquer que vivesse no dia-a-dia uma vida ociosa, no fundo, embora cheia de curiosos e inconstantes pensamentos. Não, não; para mim podia ser um qualquer mas, para os outros, não; para os outros, possuía muitas determinações decisivas, que nunca me havia atribuído nem criado e em que nunca reparara; e até a possibilidade de acreditar que era um homem qualquer, ou seja, o meu próprio ócio que julgava ser mesmo meu, aos olhos dos outros, não me pertencia: fora legado por meu pai, dependia da fortuna de meu pai, e era um ócio terrível, porque meu pai..."
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2015-01-21
Um, Ninguém e Cem Mil (p.23)
| Luigi Pirandello Uno, Nessuno e Centomila (1926) (trad. Maria Jorge Vilar de Figueiredo)
"Não me deu mais tréguas a ideia de que os outros viam em mim alguém que não era eu tal qual me conhecia; alguém que eles apenas podiam conhecer olhando-me de fora com olhos que não eram os meus e me davam um aspecto que me seria sempre estranho, estando embora em mim, sendo até para eles, o meu (um «meu», portanto, que não era para mim!); uma vida na qual, embora sendo para eles a minha, eu não podia penetrar.
Como suportar esse estranho dentro de mim? Esse estranho que era eu próprio para mim? Como não o ver? Como não o reconhecer? Como ficar para sempre condenado a trazê-lo comigo, em mim, à vista dos outros e fora da minha vista?" |
2015-01-11
De Profundis, Valsa Lenta (p.38)
| José Cardoso Pires De Profundis, Valsa Lenta (1997)
"Os nomes. A preocupação de se reconhecer vivo, identificando-se pela identificação dos outros. Durante a travessia das trevas brancas os diálogos com a Edite foram em grande parte uma busca de referências, um inquérito em total inconsciência na tentativa de se recapitular para voltar a ser indivíduo com passado. (...)"
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2014-06-16
Kim (p.148-149)
| Rudyard Kipling Kim (1901) (trad. Monteiro Lobato)
"- Que sou eu afinal de contas? Muçulmano, hindu, jain ou budista? Aí está uma bela encrenca... - Você não passa de um herege e por isso irá para o inferno. Parece que é assim que diz a minha lei. Mas também é o meu Amiguinho de Toda a Gente, de quem eu muito gosto. É o que diz o meu coração. Isto de crenças é como os cavalos. O homem esperto sabe que todos os cavalos são bons, porque todos podem dar lucro; e eu acho que é o mesmo com todas as religiões. Uma égua de Kattiawar, tirada dos nativos, nada vale em Bengala, do mesmo modo que um garanhão de Balka e (não há tão bons) nada vale nos desertos do Norte diante dos camelos que lá vi. Por isso digo em meu coração que os credos são como os cavalos. Cada qual vale no seu próprio país." |
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