| Marco Aurélio Τὰ εἰς ἑαυτόν [Ta eis heauton] (161-180) (trad. Liliana Sousa)
Livro 10
"36. Não importa quão boa é a vida que levas, haverá sempre alguém à tua cabeceira que acolherá com satisfação a tua morte. Até com o sábio e o virtuoso, haverá sempre alguém a pensar: «Finalmente livrámo-nos daquele velho sabichão! Apesar de nunca dizer nada, conseguíamos senti-lo sempre a criticar-nos» E isto é para um bom homem. Quantas características tens tu que fariam muita gente sentir-se satisfeita por se ver livre de ti? Lembra-te disto, quando chegar a tua hora; ficarás menos relutante em partir se conseguires dizer a ti próprio: «Este é o tipo de vida que vou deixar. Até as pessoas que me rodeiam, aquelas com quem passei tanto tempo, por quem eu tanto orei e me preocupei — até essas desejam a minha partida, na esperança de que isso lhes torne a vida mais fácil. Quem poderia tolerar ficar mais tempo aqui?» Ainda assim, não partas aborrecido com elas. Sê verdadeiro para contigo: compreensivo, bondoso e gentil. Não ajas como se estivesses a ser arrancado à vida, mas como alguém que morre serenamente, como a alma a ser libertada do corpo — é assim que deves deixá-las. Foi a natureza que te juntou a essas pessoas, foi ela que vos uniu, que deu o nó; e é a natureza que agora o desfaz. Estou solto daqueles que me rodeiam. Não fui arrastado contra a minha vontade, fui sem resistir. A natureza pede-nos coisas, e esta é uma delas." |
2026-04-03
Meditações (p. 133)
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