| Haruki Murakami The Wind-Up Bird Chronicle (ねじまき鳥クロニクル Nejimakitori Kuronikuru) (1994) (trad. Maria João Lourenço)
"Sem querer, meti a mão no bolso das calças e encontrei o dinheiro recebido pelo trabalho desenvolvido naquela tarde. Ainda nem sequer tirara as notas do sobrescrito. E tão-pouco falara disso a Kumiko. Não tinha qualquer intenção de esconder isso dela, mas, uma vez perdida a oportunidade, achara melhor calar-me. Depois, com o passar do tempo, e por qualquer razão que me escapava, começara a achar difícil trazer o assunto à baila. (...)
Peguei no dinheiro, guardei-o na carteira, amarrotei o sobrescrito e deitei-o para o cesto dos papéis. Com que então, era assim que os segredos começavam a ganhar forma, pouco a pouco, pensei para comigo mesmo. Não era minha intenção esconder aquela história, aparentemente insignificante, de Kumiko, e tanto se me dava contar-lha ou não. Porém, uma vez atravessado o imperceptível canal, fosse qual fosse a minha primeira intenção, a verdade é que tudo ficar coberto pelo manto opaco do segredo. (...)" |
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2016-10-29
Crónica do Pássaro de Corda (p.133-134)
2016-10-23
Crónica do Pássaro de Corda (p.97)
| Haruki Murakami The Wind-Up Bird Chronicle (ねじまき鳥クロニクル Nejimakitori Kuronikuru) (1994) (trad. Maria João Lourenço)
"(...) Não tinha a quem pedir conselhos, não havia ninguém com quem pudesse partilhar o seu segredo. Isso fez dela, nos seus verdes anos, uma adolescente muito solitária. Tinha de resolver os seus próprios problemas, encontrar sozinha as suas respostas. (...)"
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2016-07-09
Elogio da Loucura (p.104)
| Erasmo de Roterdão Stultitiae Laus (1509-1511) (trad. Álvaro Ribeiro)
[LIV]
"(...) Se bem que lhes sejam alheias as coisas públicas, ninguém ousa desprezá-los, especialmente os mendicantes, por que sabem os segredos de todos, graças ao que denominam confissões. É certo que consideram crime quebrar o sigilo, excepto quando beberem um pouco, ou quando querem deleitar os ouvintes com fálas mais amenas; deixam fazer todas as conjecturas, calando, porém, o nome. Não irriteis essas vespas; vingar-se-iam nos sermões em que designam o inimigo por referências oblíquas, de maneira que só não entende quem seja incapaz de entender. (...)" |
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